Operação Heavy Pen: PF e Anvisa miram venda ilegal de remédios emagrecedores mobilizou agentes federais e técnicos sanitários em 11 estados para reprimir a importação irregular, a produção clandestina e o comércio de medicamentos injetáveis usados para perder peso.
Operação Heavy Pen: PF e Anvisa miram venda ilegal de remédios emagrecedores
A Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e realizaram 24 fiscalizações em laboratórios de manipulação, clínicas estéticas e distribuidoras, espalhados pelo Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Roraima, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe e Santa Catarina.
De acordo com a corporação, a ofensiva, conduzida na última terça-feira (7 de abril), concentra-se em substâncias como semaglutida e tirzepatida, já prescritas em terapias contra obesidade, e na retatrutida, ainda sem registro no Brasil. Esses princípios ativos são populares nas chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos agonistas do receptor GLP-1 aplicados por via subcutânea.
Investigadores afirmam que a cadeia ilícita inclui desde a entrada fraudulenta de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) até o fracionamento e a distribuição de doses sem rastreabilidade. As condutas sob apuração podem configurar contrabando, falsificação e comércio irregular de medicamentos, crimes previstos na legislação sanitária e penal brasileira.
Segundo dados internos da PF, as apreensões de emagrecedores explodiram nos últimos anos: foram 609 unidades em 2024, 60.787 em 2025 e, apenas até março de 2026, 54.577 unidades.
A Anvisa, em nota, informou que monitora com rigor a importação dos IFAs utilizados na manipulação desses fármacos. Apenas no segundo semestre de 2025, entraram no país 130 quilos de insumos — volume suficiente para produzir 25 milhões de doses. A agência anunciou um pacote de medidas para intensificar a fiscalização e coibir irregularidades, movimento detalhado em comunicado oficial disponível no portal da Anvisa.
Os agentes também vistoriaram estabelecimentos suspeitos de produzir ou vender medicamentos sem registro, de origem desconhecida ou com rotulagem adulterada. Laboratórios de manipulação flagrados em descumprimento às normas sanitárias podem sofrer interdição, multas e ter os responsáveis indiciados.
Para a Polícia Federal, a ação integrada com a Anvisa aumenta a capacidade de rastrear a origem dos produtos e impedir que substâncias potencialmente perigosas cheguem aos consumidores. A corporação salientou que, além dos mandados já executados, outras fases da operação não estão descartadas.
Reforçar o controle sobre remédios para emagrecer atende a uma demanda de entidades médicas, que veem riscos no uso indiscriminado desses fármacos sem prescrição e acompanhamento profissional. A venda on-line, muitas vezes em redes sociais, facilita o acesso a produtos sem procedência comprovada, cenário que os órgãos federais pretendem desmantelar.
Resumo: a Operação Heavy Pen expôs uma extensa rede clandestina que envolvia importação, manipulação e distribuição de semaglutida, tirzepatida e retatrutida. As autoridades prometem manter a vigilância para evitar a proliferação de medicamentos irregulares que colocam em risco a saúde pública.
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Crédito da imagem: PF/Divulgação
Fonte: Agência Brasil
