A 9ª fase da Operação Compliance Zero mira dois novos suspeitos ligados a negociações de apartamento atribuído ao senador. Jaques Wagner, líder do governo no Senado, segue no centro das investigações envolvendo o Banco Master.
A nona fase da Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 18, trouxe novos nomes para as investigações envolvendo o Banco Master. O foco da apuração inclui o senador Jaques Wagner (PT-BA), que atualmente é o líder do governo no Senado.
Segundo informações da PF, dois operadores são apontados como participantes de negociações relacionadas ao apartamento Poème Horto, imóvel que está sob investigação e que os investigadores atribuem ao parlamentar. Os nomes mencionados são Valério Marega Júnior e David Lopes Monteiro.
Valério é identificado na investigação como um operador financeiro vinculado a estruturas de fundos e sociedades associadas ao Banco Master. Por sua vez, David é considerado parte do núcleo empresarial e jurídico-financeiro que opera com o grupo de Daniel Vorcaro.
A PF detalha que Valério teria atuado de forma a coordenar operações que viabilizassem a compra do apartamento de maneira oculta. Os investigadores afirmam que ele utilizou estruturas financeiras que dificultariam a identificação do verdadeiro proprietário do imóvel.
A operação revelou que, após receber mensagens atribuídas a Jaques Wagner com informações sobre o apartamento e seu valor, Augusto Ferreira Lima repassou esses dados a Valério. O contato do operador estava registrado no celular do empresário como “Valério Fundos”.
Além disso, David Lopes Monteiro também é mencionado nas tratativas relacionadas ao imóvel. A PF informou que Augusto enviou o contato dele ao senador após um pedido de informações sobre o proprietário formal da unidade.
O nome de David também aparece em conversas que envolvem cobranças de documentos e pagamentos ligados à negociação do imóvel.
A Polícia Federal decidiu incluir David entre os alvos da nova fase da operação, considerando necessário evitar qualquer possível interferência em documentos, testemunhas e empresas que estão ligadas às negociações financeiras e imobiliárias que estão sendo investigadas.
David é irmão do advogado Daniel Lopes Monteiro, que foi preso em abril durante outra etapa da operação. Segundo a PF, Daniel participou de tratativas relacionadas ao apartamento, especialmente em momentos posteriores à aquisição do imóvel. Os investigadores afirmam que, após a primeira fase da Compliance Zero, o advogado atuou para reorganizar juridicamente a situação do imóvel por meio de uma cessão de direitos aquisitivos, gerando risco de interferência na produção de provas, o que levou à sua inclusão novamente entre os alvos das medidas judiciais.

