Relatório da OpenAI aponta que operações da Rússia e do Irã usaram ChatGPT para campanhas que atacavam a Ucrânia. Uma operação criou a fachada chamada SRC e espalhou conteúdo com identidades falsas na América Latina.
Um relatório divulgado pela OpenAI revelou que duas operações, uma com origem na Rússia e outra no Irã, utilizaram o ChatGPT para apoiar campanhas de influência. Segundo a OpenAI, as ações buscavam prejudicar a imagem da Ucrânia e veicular conteúdo sob identidades falsas em veículos de comunicação, com presença especialmente na América Latina.
Na operação atribuída à Rússia, os operadores mantinham uma fachada identificada como Social Research Center (SRC), com site, funcionários e publicações próprias. Segundo a OpenAI, o centro era administrado por meio de uma identidade fictícia chamada Mia Clark e produzia pesquisas e estudos locais. Relatórios internos mencionavam decisões sobre salários, contratações e demissões.
Ainda conforme o documento, funcionários contratados no terreno entrevistavam especialistas e preparavam estudos sem saber, pelas evidências levantadas, que faziam parte de uma operação russa. O ChatGPT foi usado principalmente para elaborar balanços internos das atividades. Em alguns casos, a ferramenta teria auxiliado na produção de documentos falsificados, traduções e roteiros de áudio. O relatório ressalta, porém, que não afirma que toda a produção do SRC tenha sido feita com inteligência artificial.
As campanhas ligadas à operação russa procuravam, segundo a OpenAI, prejudicar a imagem da Ucrânia e influenciar a percepção pública sobre líderes na América Latina. Para isso foram empregados posts em redes sociais, falsos vazamentos e conteúdos divulgados na imprensa. A empresa identificou falsificações que levaram a checagens, desmentidos oficiais e manifestações políticas, mas não comprovou que essas ações tenham mudado decisões políticas ou resultados eleitorais.
No caso atribuído ao Irã, a OpenAI identificou uma estratégia baseada em identidades jornalísticas falsas. Eram sete perfis que se apresentavam como jornalistas ocidentais, em sua maioria norte-americanos, com nomes, biografias e contas em redes sociais usados para assinar artigos e contatar redações. Um dos perfis citados no relatório foi Ervin B. Hoskins, apresentado como freelancer norte-americano, cujas contas constavam, segundo transparência das plataformas, associadas ao Irã.
O relatório aponta que quase cem artigos foram publicados ou republicados sob essas assinaturas em cerca de uma dúzia de veículos digitais, no período de julho de 2025 a outubro de 2026. Nesses casos, o ChatGPT foi usado para revisar textos, adaptá-los a exigências editoriais e preparar mensagens destinadas a editores, além de ajudar na elaboração de comentários para redes sociais. A OpenAI observou que os comentários gerados nas redes tiveram pouco engajamento e não demonstrou que as redações conheciam a verdadeira origem dos textos.
Em relação ao alcance das operações, a OpenAI destacou limites nas provas de eficácia. No caso iraniano, apesar das publicações em veículos digitais, a repercussão nas redes foi reduzida. Na operação russa, foram encontradas inconsistências em relatórios internos e afirmações de sucesso que não foram comprovadas pelas verificações.
Ao final do levantamento, a OpenAI informou que as contas envolvidas nas duas operações foram bloqueadas e que compartilhou informações sobre as atividades com as autoridades competentes.
