A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou, na última sexta-feira, 29 de maio, que o plano de Israel de assumir o controle de 70% da Faixa de Gaza provavelmente intensificará o sofrimento das crianças, que já enfrentam sérios problemas de superlotação e falta de recursos básicos.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou na quinta-feira, 28 de maio, que ordenou ao exército que expandisse o controle sobre o território, desafiando as condições do frágil cessar-fogo estabelecido em outubro do ano anterior. Durante sua declaração, Netanyahu afirmou que o exército já controlava 50% da região sob os termos do cessar-fogo e que havia avançado para 60%, com a nova diretriz visando alcançar 70% de controle.
“Minha diretriz é avançar até 70%”, afirmou Netanyahu.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) manifestou preocupação com a situação, ressaltando que essa medida poderá agravar ainda mais a crise humanitária enfrentada pelas crianças no território palestino, que já estão lidando com a escassez de alimentos, água e acesso a serviços de higiene.
Antes mesmo dos ataques do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra em Gaza, a região já era considerada “um dos lugares mais densamente povoados do mundo”. O porta-voz da Unicef, Salim Oweis, destacou que a população está comprimida em apenas 40% do espaço restante, vivendo entre prédios destruídos e escombros, além de acumular resíduos sólidos sem ter mais espaço para descartá-los.
“Os efeitos já são claramente visíveis: crianças com infecções respiratórias, diarreia aquosa aguda e mais da metade das famílias relatando doenças de pele”, explicou Oweis.
O representante da Unicef também mencionou que a presença de pulgas, piolhos e sarna se tornou comum, além de relatos de mordidas de ratos em crianças pequenas e até em bebês que estão abrigados em tendas e outros locais improvisados. A ampliação do controle territorial por Israel significaria a perda de acesso a serviços essenciais e áreas onde residem muitas famílias e crianças.
“Isto só significará que mais crianças sofrerão”, enfatizou Oweis.
