Obesidade vira principal fator de risco à saúde no Brasil
Obesidade vira principal fator de risco à saúde no Brasil, superando a hipertensão e colocando a glicemia elevada em terceiro lugar, segundo análise nacional do Estudo Global sobre Carga de Doenças publicada na edição de maio da revista científica The Lancet Regional Health – Americas.
Mudança de posição após três décadas
Conduzido por milhares de pesquisadores em mais de 200 países, o levantamento mostra que, em 1990, os principais vilões para a saúde dos brasileiros eram hipertensão, tabagismo e poluição por partículas finas no ar. Naquele ano, o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado — principal indicador de obesidade — aparecia apenas na sétima posição.
De lá para cá, o risco atribuído à obesidade cresceu 15,3%, impulsionado por profundas transformações no estilo de vida. O país passou por rápida urbanização, redução de atividade física e maior consumo de dietas hipercalóricas, ricas em sal e ultraprocessados.
Ambiente “obesogênico” preocupa especialistas
Para o endocrinologista Alexandre Hohl, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), o Brasil vive em um “ambiente obesogênico”. Ele classifica a obesidade como “doença crônica inflamatória e metabólica” capaz de elevar simultaneamente o risco de diabetes tipo 2, infarto, AVC e diversos tipos de câncer.
O especialista defende políticas públicas que incentivem alimentação saudável, prática regular de exercícios e tratamento multidisciplinar para pessoas com IMC elevado. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o excesso de peso já afeta mais de 1 bilhão de pessoas no planeta, reforçando a urgência de ações locais.
Fatores de risco: avanços e retrocessos
O estudo também revela quedas significativas em outras ameaças à saúde. Entre 1990 e 2023, o risco de morte ou incapacidade por poluição particulada caiu 69,5%, enquanto o tabagismo recuou cerca de 60%. Entretanto, de 2021 a 2023, o fumo voltou a crescer 0,2%, alertando para possível estagnação de políticas antitabaco.
Outro ponto sensível é o aumento de quase 24% no risco associado à violência sexual na infância. Esse fator saltou da 25ª posição para a décima no ranking, evidenciando um problema social de alto impacto na saúde pública.
Ranking atual dos principais riscos no país
1. Índice de massa corporal elevado
2. Hipertensão
3. Glicemia elevada
4. Tabagismo
5. Prematuridade ou baixo peso ao nascer
6. Abuso de álcool
7. Poluição particulada do ar
8. Mau funcionamento dos rins
9. Colesterol alto
10. Violência sexual na infância
Apesar de avanços no combate à poluição e ao tabagismo, o crescimento persistente da obesidade coloca pressão adicional sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Estratégias integradas, que combinem prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado, são apontadas como caminho para reverter a tendência.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
