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Política

Nobel, BC e Petrobras debatem economia no encerramento do Fórum de Lisboa

Rafael Ramos
De Rafael Ramos
Publicado: 13/06/2026
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O último dia do evento reuniu grandes nomes da economia mundial em Lisboa. Nobel, presidente do Banco Central e da Petrobras protagonizaram os painéis de encerramento.

LISBOA — O Gilmarpalooza chega ao fim nesta quarta-feira, 3, após três dias de debates com a presença de ministros de tribunais superiores, integrantes do governo Lula, parlamentares, empresários, advogados e acadêmicos na Universidade de Lisboa.

A programação de encerramento contou com a participação do economista Joel Mokyr, vencedor do Prêmio Nobel de Economia; do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Os três se destacaram nos painéis principais do último dia do Fórum de Lisboa.

Durante um dos debates mais esperados, Galípolo avaliou que o Brasil está relativamente mais bem posicionado do que outras economias para enfrentar choques externos.

“O Brasil se mostrou relativamente mais bem posicionado do que outros países para enfrentar esses choques por causa de características específicas benéficas de sua economia”, declarou.

Ele também destacou que a diversificação dos parceiros comerciais brasileiros é uma das razões para essa resiliência. Galípolo comentou que, após a eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, em 2024, havia a expectativa de que a economia norte-americana ampliasse sua vantagem competitiva em relação ao restante do mundo.

O Fórum de Lisboa, conhecido como Gilmarpalooza, teve início na segunda-feira, 1º de junho de 2026, e se despediu com uma intensa movimentação nos bastidores, onde empresários, magistrados, advogados e autoridades brasileiras participaram de reuniões reservadas e eventos paralelos pela capital portuguesa.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, defendeu uma transição energética gradual e adequada à realidade da economia mundial. De acordo com ela, a substituição dos combustíveis fósseis requer planejamento cuidadoso e não elimina, no curto prazo, a necessidade de continuar produzindo petróleo.

“O aumento da substituição do petróleo pela guerra irá acelerar a produção de novas tecnologias e pesquisas com a finalidade de procurar um novo patamar energético mundial”, afirmou.

Chambriard também evidenciou a necessidade de equilibrar interesses entre desenvolvimento econômico, sustentabilidade e produção agropecuária, afirmando que o desafio é conciliar as metas ambientais com a atuação das organizações não governamentais e as demandas do agronegócio.

Sobre os efeitos do conflito no Oriente Médio no mercado internacional de energia, a presidente da Petrobras declarou que os impactos econômicos devem durar mesmo após o término das hostilidades.

“Os efeitos transcenderão o fim da guerra e perdurarão por, pelo menos, quatro anos, até voltarem ao patamar de US$ 60 o barril”, disse.

O economista Joel Mokyr, por sua vez, alertou para os riscos da desinformação e da perda de confiança nas instituições. Em sua apresentação, ele comentou sobre os efeitos das redes sociais na circulação de informações, destacando que a tecnologia moderna facilita a disseminação de desinformação.

“O problema hoje é que a tecnologia moderna torna mais fácil para charlatães e teóricos da conspiração enganarem o público”, afirmou.

Ele também ressaltou a importância da confiança para o progresso econômico, alertando que a erosão dessa confiança pode ter consequências graves para a sociedade.

“O progresso depende da tecnologia da confiança”, concluiu.

O Fórum de Lisboa, apelidado de “Gilmarpalooza” por reunir a elite política, jurídica e econômica brasileira, encerra sua 14ª edição mantendo a tradição de combinar debates públicos com articulações informais longe de Brasília.

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