Ney Franco relata tensão da guerra no Oriente Médio durante estadia no Catar ao explicar que a delegação do Al-Hussein, da Jordânia, permanece retida em Doha depois que o espaço aéreo foi fechado em meio à escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.
Ney Franco relata tensão da guerra no Oriente Médio durante estadia no Catar
O treinador brasileiro Ney Franco, conhecido pelas passagens por Flamengo, Botafogo, São Paulo, Cruzeiro e especialmente pelo Esporte Clube Vitória, descreveu momentos de incerteza no Catar. A equipe que ele dirige, o Al-Hussein, viajou a Doha para enfrentar o Al-Ahli Doha pelas quartas de final da Champions League Two da Ásia, marcada para 3 de março de 2026. Com o agravamento da guerra, a partida foi adiada e a comitiva impossibilitada de retornar a Amã.
Em entrevista ao Flashscore, Ney Franco afirmou que a sensação de estar “no olho do furacão” transformou uma viagem esportiva em permanência forçada. “Não estamos acostumados com guerra; sempre vemos de longe. De repente, estamos dentro dela”, resumiu o técnico.
O Catar abriga a maior base militar norte-americana no Oriente Médio, alvo de contra-ataques iranianos, fator que levou ao fechamento do espaço aéreo local. Mesmo hospedados em área considerada segura, jogadores e comissão ouviram explosões na madrugada de sábado para domingo, segundo o treinador.
“A prioridade agora é a integridade física. Ficamos no hotel aguardando que o conflito cesse para regressarmos à Jordânia”, destacou. Na liga jordaniana, o Al-Hussein lidera a classificação e tem 12 partidas restantes. Ney Franco teme que o atraso comprometa o planejamento, mas mantém o foco em retomar a temporada assim que possível.
Além do campeonato nacional, o clube sonha com a classificação histórica à semifinal continental, possibilidade que colocaria o time frente a frente com o Al-Nassr, de Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus. “Seria um confronto marcante, mas, no momento, o essencial é sair de Doha em segurança”, frisou.
Ney Franco recordou ainda suas duas passagens pelo Vitória. Na primeira, em 2013, quase levou o clube baiano à Libertadores ao finalizar o Brasileiro na quinta posição. Em 2014, deixou o comando para assumir o Flamengo, retornando meses depois sem repetir o rendimento inicial.
De acordo com análises divulgadas pela BBC, a tensão regional deve persistir enquanto não houver acordo diplomático entre Teerã, Washington e Tel Aviv, o que mantém incerta a data de reabertura do tráfego aéreo qatari.
Enquanto espera uma definição, o treinador reitera o apelo por “retorno à normalidade” tanto para a vida civil quanto para o calendário esportivo. “Estamos mobilizados, mas precisamos voltar a competir”, concluiu.
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Crédito da imagem: Al-Hussein/X
Fonte: Futebol Baiano
