O MP de São Paulo encontrou R$150 mil na casa do carcereiro e US$10 mil; R$4 mil foram apreendidos na revista da cadeia. A operação Custódia (In)Fiel, na sexta (16), investiga regalias a Milton Leite.
Publicado em 18/10/2026.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apreendeu cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro suspeito de facilitar regalias ao ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A operação foi realizada na sexta-feira 16.
Segundo as informações da ação, a maior parte dos valores foi encontrada na residência do servidor: aproximadamente R$ 150 mil e US$ 10 mil. Outros R$ 4 mil estavam no bolso do carcereiro durante uma busca na unidade prisional.
A operação foi batizada de Custódia (In)Fiel e foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP. A investigação apura suspeitas de tratamento privilegiado a presos.
A apuração começou depois de uma denúncia anônima sobre visitas a Milton Leite fora dos dias e horários autorizados, inclusive à noite e nos fins de semana. O ex-parlamentar também teria saído do presídio para almoçar, segundo as apurações.
Durante a ação, foram buscados aparelhos celulares, imagens de câmeras de monitoramento e outros elementos que possam esclarecer as suspeitas. O Ministério Público investiga possíveis crimes de corrupção ativa e passiva e outras irregularidades relacionadas ao caso.
Milton Leite está preso desde setembro, investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público paulistano. Ele é apontado pelas autoridades como possível proprietário da empresa de ônibus Transwolff.
A defesa do ex-vereador nega que ele tenha recebido regalias na prisão e afirma que o político está submetido às mesmas regras aplicadas aos demais detentos. A defesa também nega as acusações relacionadas à investigação.
As medidas cumpridas na operação visaram reunir provas que possam confirmar ou afastar as suspeitas sobre regalias e eventual troca de favores entre agentes prisionais e detentos. Entre os objetivos da apuração estão verificar se houve fracionamento de horários de visita, saídas não registradas e fornecimento de itens proibidos a presos.
O caso segue em investigação, com o MPSP mantendo buscas por materiais que ajudem a esclarecer as condutas apuradas e a eventual participação de outros servidores ou terceiros.
