Anúncio durante a Conferência Internacional de AIDS no Rio aponta pedido ao Conitec para incorporar o cabotegravir ao SUS. A injeção de longa duração pode facilitar a prevenção para quem tem dificuldade com a PrEP oral.
O Brasil deu um passo significativo no fortalecimento da prevenção ao HIV. O Ministério da Saúde anunciou que solicitará a incorporação do cabotegravir ao Sistema Único de Saúde (SUS), possibilitando a oferta gratuita da primeira medicação injetável de longa duração para a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).
O anúncio ocorreu durante a Conferência Internacional de AIDS, realizada no Rio de Janeiro. Caso receba parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), o medicamento poderá ampliar o acesso à prevenção, beneficiando pessoas que têm dificuldades para manter o uso diário da PrEP oral.
“O Brasil quer incorporar novas tecnologias de prevenção do HIV, porque elas podem ampliar as possibilidades de cuidado e oferecer alternativas para pessoas que enfrentam dificuldades de adesão ao uso diário da medicação”, destacou o ministro da Saúde.
A principal novidade do cabotegravir é a sua praticidade. Diferentemente da PrEP oral, que exige um comprimido todos os dias, o medicamento é administrado por meio de injeções. Após as duas doses iniciais, a aplicação passa a ser realizada apenas uma vez a cada dois meses.
Estudos clínicos realizados em diversos países, incluindo o Brasil, demonstraram que o cabotegravir foi 69% mais eficaz na prevenção da infecção pelo HIV em comparação com a PrEP oral. Esse resultado levou à recomendação do medicamento pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e à aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023.
Atualmente, o SUS oferece gratuitamente a PrEP oral para pessoas com maior risco de exposição ao HIV. A possível incorporação da versão injetável representa mais uma alternativa de cuidado, especialmente para aqueles que encontram dificuldades em manter o tratamento diário.
A PrEP atua preparando o organismo para impedir que o vírus se estabeleça em caso de exposição. Especialistas enfatizam que o tratamento deve ser utilizado em conjunto com outras medidas de prevenção, como o uso de preservativos e o acompanhamento regular com profissionais de saúde.
Antes de chegar à rede pública, o cabotegravir ainda será analisado pela Conitec, que avaliará critérios como eficácia, segurança, custo e impacto financeiro para o SUS. Se aprovado, a expectativa do Ministério da Saúde é disponibilizar o medicamento ainda este ano.
O governo também está em negociações para a incorporação de outra inovação na prevenção ao HIV: o lenacapavir, um medicamento injetável de longa duração que pode ser aplicado apenas duas vezes por ano.
Essa iniciativa reforça o compromisso do Brasil com a ampliação do acesso às tecnologias de prevenção e representa mais um avanço na promoção da saúde pública, oferecendo novas opções para reduzir a transmissão do HIV e melhorar a qualidade de vida da população.
