Milei proíbe jornalistas na Casa Rosada e gera reação da imprensa — A decisão do presidente argentino Javier Milei de barrar repórteres credenciados na sede do governo federal, em Buenos Aires, foi justificada pelo Executivo como medida de segurança após a divulgação de imagens internas gravadas com “óculos inteligentes”.
Milei proíbe jornalistas na Casa Rosada e gera reação da imprensa
O bloqueio ao acesso dos profissionais ocorreu depois que uma emissora de televisão exibiu cenas do interior da Casa Rosada obtidas com dispositivos de captação ocultos, fato classificado pelo governo como “espionagem ilegal”. Na ocasião, Milei chegou a chamar os jornalistas responsáveis de “lixo nojento” em suas redes sociais, reforçando a tensão já existente entre o presidente e a imprensa argentina.
Em manifestação conjunta, os repórteres que cobrem o Palácio presidencial sustentaram que a medida é “injustificada” e fere diretamente a liberdade de informação: “Negar o acesso aos repórteres sugere um ataque explícito à prática do jornalismo e ao direito do público de ser informado”, diz o comunicado.
A Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa) também reagiu, expressando “máxima preocupação” e lembrando que não há precedentes similares desde a redemocratização do país. A entidade pediu a revisão imediata da proibição para garantir “o pleno exercício da liberdade de imprensa”.
Parlamentares da oposição, como a deputada Mónica Frade, ressaltaram que nem mesmo durante o período da ditadura militar (1976-1983) jornalistas foram impedidos de circular na Casa Rosada. Para a congressista, o fechamento do comitê de imprensa “é o pior símbolo possível da fragilidade da democracia argentina”.
Especialistas em direito constitucional alertam que restringir o trabalho da imprensa dentro de um órgão público compromete a transparência administrativa. Segundo levantamento do BBC News Brasil, medidas de cerceamento similares em outros países resultaram em retrocessos nos índices de liberdade de expressão.
Até o momento, o governo argentino não indicou prazo para reavaliar a restrição nem informou se adotará protocolos alternativos para o envio de informações oficiais aos meios de comunicação.
O episódio amplia o histórico de confrontos de Milei com veículos jornalísticos desde a posse presidencial. Organizações internacionais, como Repórteres Sem Fronteiras e Sociedade Interamericana de Imprensa, já haviam alertado para o tom agressivo do mandatário contra profissionais do setor.
O tema deve permanecer em debate no Congresso argentino, onde partidos oposicionistas planejam apresentar projetos que reforçam garantias de acesso às dependências públicas por parte da imprensa credenciada.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
