Meta suspendeu temporariamente recomendação e criação de imagens de Lula e Flávio Bolsonaro depois de respostas divergentes de uma ferramenta no WhatsApp. A empresa diz agir para cumprir as regras eleitorais brasileiras.
Nesta quarta-feira (14), a Meta informou que proibiu temporariamente a recomendação de candidatos e a geração de imagens deles por inteligência artificial, em cumprimento às regras eleitorais brasileiras. A decisão foi tomada depois que uma ferramenta disponível no WhatsApp apresentou respostas diferentes a pedidos semelhantes envolvendo o presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), ambos candidatos à Presidência.
“Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”
Segundo a empresa, além da proibição geral, foram adotadas medidas para impedir a criação de imagens quando os comandos usam apenas o primeiro nome dos candidatos e seus respectivos números nas urnas. A mudança ocorre em meio à campanha para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A polêmica começou quando testes identificaram que a inteligência artificial recusou um pedido para criar uma bandeira verde e amarela com o nome de Lula e o número 13, mas atendeu a uma solicitação parecida com o nome de Flávio Bolsonaro e o número 22. Os pedidos tinham estruturas muito semelhantes — com alteração apenas no nome e no número — e o motivo da diferença nas respostas não foi identificado pela empresa.
A reação veio da campanha do presidente, por meio de um advogado ligado à equipe. O advogado classificou o episódio como tratamento desigual e informou que a campanha pretende tomar medidas jurídicas.
“Vamos tomar providências jurídicas. Numa democracia de dimensões continentais, como é a democracia brasileira, você tem que ganhar ou perder no voto”
“Nós vamos ganhar contra o sistema, contra as big techs, contra o ódio, contra a intolerância, contra o crime organizado, contra o conluio nos tribunais”
As regras eleitorais brasileiras estabelecem restrições quanto ao favorecimento ou desfavorecimento de candidaturas, inclusive por meio de ferramentas automatizadas. Ainda assim, a diferença detectada nos testes não permite, por si só, concluir que houve violação das normas eleitorais. Não foi possível determinar se a recusa do pedido envolvendo Lula ocorreu por causa dos mecanismos automáticos da ferramenta ou por outros fatores relacionados ao processamento da solicitação.
O caso levanta questões sobre a operação de sistemas automatizados em contextos eleitorais e sobre como as plataformas devem ajustar comportamentos de inteligência artificial para cumprir regras e evitar tratamentos diferenciados entre candidatos.

