Um dia após a vitória de Lula, investidores promovem ajuste técnico nos preços. O real se valorizou ante o dólar e a B3 registrou fortes oscilações pela manhã.
Um dia depois do chamado “terremoto” provocado pela vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais, o mercado financeiro busca uma reação nesta terça-feira, 27, em um movimento de ajuste e correção. O real voltou a se valorizar ante o dólar e a Bolsa de Valores operou sob forte oscilação ao longo da manhã.
O movimento observado na B3 foi descrito como correção de mercado ou realização de lucros: trata-se de um ajuste técnico que costuma ocorrer após pregões de forte baixa, quando preços e expectativas são acomodados temporariamente, levando a altas pontuais ou estabilização nas cotações das ações.
Por volta das 11 horas (pelo horário de Brasília), o dólar registrava queda firme de 1,39% ante o real e era negociado a R$ 5,32. Na cotação máxima da sessão até aquele momento, a moeda norte-americana bateu R$ 5,41, enquanto a mínima era de R$ 5,30.
Na véspera, o dólar encerrou o dia com disparo de 8,21%, cotado a R$ 5,40 — a maior alta em um único dia em quase 30 anos, desde 18 de janeiro de 1999. Apesar da oscilação recente, a moeda acumulava perdas de 4,41% em outubro e 1,57% em 2026.
O Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores do Brasil (B3), ensaiou uma recuperação no início do segundo pregão da semana, mas voltou a oscilar. Às 11h10, o índice recuava 0,06%, aos 176.506,02 pontos, perto da estabilidade. Na pontuação máxima da sessão foi a 178.526,08 pontos e a mínima até então era 176.608,94 pontos.
Na sessão anterior, o indicador havia fechado com recuo de 13,88%, em 176,6 mil pontos, marcando o maior tombo da bolsa desde 16 de março de 2020, no início da pandemia de covid-19. Na segunda-feira, a B3 chegou a acionar o called circuit breaker e suspendeu as negociações por 30 minutos, mecanismo de segurança que interrompe temporariamente operações quando ocorrem quedas bruscas, com o objetivo de conter pânico e permitir reavaliação do cenário pelos investidores.
Em análises divulgadas durante a manhã, a estrategista de ações Rebecca Nossig, da Nomad, explicou que o pregão anterior foi marcado por forte aversão ao risco e pela reprecificação dos ativos após a definição do cenário político. Ela destacou que houve uma liquidação generalizada na bolsa e cautela quanto às diretrizes econômicas e fiscais que podem ser adotadas no futuro.
“Extrema volatilidade e forte aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro, refletindo a reprecificação dos ativos após a definição do cenário político”
“O descompasso de expectativas do mercado em relação ao resultado das urnas resultou em um movimento generalizado de liquidação na bolsa, evidenciando a cautela dos investidores em relação às futuras diretrizes econômicas e fiscais do país”
“O mercado ainda tenta assimilar a nova realidade, trocando a imprevisibilidade das urnas pela cautela quanto à condução da política econômica do novo governo”
O quadro desenhado nas últimas sessões segue exigindo atenção dos agentes do mercado, que passam a avaliar, a cada movimentação, os possíveis impactos das decisões políticas sobre a trajetória das moedas e dos ativos locais.
