A líder opositora venezuelana anunciou que ficará de fora das negociações marcadas para agosto entre parte da oposição e o governo de Delcy Rodríguez. A decisão aprofunda a divisão no campo opositor.
A líder opositora venezuelana e prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, anunciou que não participará do diálogo entre um grupo de opositores e o governo interino da presidente Delcy Rodríguez, programado para agosto. A informação foi divulgada neste domingo (26).
Em meados de julho, o governo interino de Rodríguez, juntamente com ex-parlamentares da oposição do período de 2015 a 2020, anunciou um plano de trabalho com o objetivo de “fortalecer a democracia” no país. A iniciativa foi recebida com otimismo pelos Estados Unidos, que a consideraram um “passo importante no processo de reconciliação política” na Venezuela, especialmente após a captura do presidente Nicolás Maduro, ocorrida em janeiro.
“Membros da Assembleia Nacional de 2015 e representantes do regime anunciaram a criação de um mecanismo entre ambos, em cujo desenho, construção e funcionamento não participamos”, afirmou Machado em uma nota conjunta com Edmundo González Urrutia, que foi candidato da oposição nas eleições presidenciais de 2024.
Machado também reivindicou a vitória de González Urrutia nas eleições de 2024, nas quais Maduro foi declarado vencedor, em meio a denúncias de fraude. Em sua carta, divulgada nas redes sociais, ela destacou: “Não nos corresponde explicar seus alcances e suas decisões. Quem o impulsiona deve informar ao país seus objetivos, seu método e seu cronograma”.
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Recentemente, Machado não havia se pronunciado sobre as negociações que a líder opositora exilada Dinorah Figuera iniciou em junho, antes dos devastadores terremotos de 24 de junho que atingiram a Venezuela, resultando em mais de 5.500 mortos. Figuera, com o apoio dos Estados Unidos, realizou uma visita relâmpago em Caracas, onde se reuniu com Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, e outros líderes opositores.
Desde 2023, Figuera lidera uma comissão que representa o Parlamento de 2015-2020, que foi controlado pela oposição, mas acabou marginalizado pelo governo de Maduro. Apesar de não participar do diálogo, Machado afirmou que não será um “obstáculo a nenhuma iniciativa que produza avanços reais” na Venezuela.
Tanto Machado quanto González Urrutia têm pedido novas eleições presidenciais e, em ocasiões anteriores, a líder opositora expressou sua “determinação” para negociar uma transição com o governo de Rodríguez.
“Vamos voltar à Venezuela”, acrescentou Machado, que tem vivido em exílio desde dezembro, quando saiu do país de forma clandestina para receber o prêmio em Oslo, na Noruega. Durante a crise desencadeada pelos terremotos, ela acusou as autoridades venezuelanas de fecharem o espaço aéreo para impedir seu retorno.
Delcy Rodríguez assumiu o poder interinamente em janeiro, após a queda de Maduro, e enfrenta a pressão do governo dos Estados Unidos em meio a um cenário de instabilidade política e social no país.
