Circula que o vencedor de 2018 teria sido conhecido no primeiro turno, mas o TSE confirma que houve segundo turno. Pela Constituição (1988), é preciso 50% mais um dos votos válidos — brancos e nulos não entram na conta.
Uma confusão recorrente sobre a eleição presidencial de 2018 afirma que o vencedor teria sido conhecido já no primeiro turno. Os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, porém, mostram que a disputa exigiu duas votações para apontar o presidente daquele pleito.
A exigência do segundo turno está prevista na Constituição Federal de 1988 e funciona como um mecanismo de segurança institucional. Pela regra da maioria absoluta, para ser eleito no primeiro turno um candidato precisa alcançar pelo menos 50% mais um dos votos válidos. Nessa conta, são excluídos os votos brancos e nulos.
Quando nenhum dos concorrentes atinge esse patamar, a legislação determina uma nova votação entre os dois nomes mais votados. A finalidade é garantir que o eleito tenha apoio direto da maior parte dos eleitores que manifestaram escolhas válidas, conferindo-lhe mais força política no relacionamento com o Congresso e com outros setores da sociedade.
No primeiro turno de 2018, realizado no dia 7 de outubro, a apuração indicou que Jair Bolsonaro (PSL) liderou a disputa desde os primeiros boletins e chegou a registrar picos acima de 50% durante pouco mais de uma hora, enquanto parte das urnas do Sul e do Sudeste ainda não havia sido contabilizada. À medida que os votos do Norte e do Nordeste foram inseridos no sistema, o percentual se estabilizou.
O resultado oficial do primeiro turno registrou Bolsonaro com 46,03% dos votos válidos — aproximadamente 49,2 milhões de eleitores — e Fernando Haddad (PT) com 29,28% — cerca de 31,3 milhões. Como o primeiro colocado não ultrapassou a marca necessária, a eleição foi para o segundo turno.
A decisão final ocorreu em 28 de outubro de 2018. No confronto direto, Jair Bolsonaro venceu com 55,13% dos votos válidos, contra 44,87% de Fernando Haddad, assumindo o cargo de presidente em janeiro seguinte.
O intervalo de aproximadamente três semanas entre os turnos alterou profundamente a dinâmica da campanha. Nesse período, candidatos buscaram alianças com lideranças que não avançaram à segunda etapa, como Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB). A disputa combinou programação na televisão com forte circulação de conteúdos em aplicativos de mensagens e redes sociais.
O Supremo Tribunal Federal e a Justiça Eleitoral adotaram medidas de fiscalização mais rígidas para enfrentar o volume de desinformação detectado nas plataformas digitais. Foram criados grupos de trabalho para monitorar disparos em massa de mensagens, sob a justificativa de adequar práticas digitais à legislação eleitoral vigente.
Algumas dúvidas jurídicas frequentes também ficaram claras a partir daquele pleito: votos válidos são apenas os votos nominais atribuídos a candidatos ou partidos; votos em branco e nulos não são transferidos a candidatos e não anulam o processo; e o calendário eleitoral estabelece que o primeiro turno ocorre sempre no primeiro domingo de outubro e o segundo turno, se necessário, no último domingo do mesmo mês.
