O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, no dia 28 de maio de 2026, a lei que institui a Universidade Federal Indígena (Unind), marcando um passo histórico para a educação no Brasil. Essa é a primeira universidade do tipo no país e foi criada com o objetivo de atender às demandas educacionais dos povos indígenas.
O projeto de lei, que é de autoria do governo federal, foi aprovado pelo Congresso Nacional no início de maio e prevê que as atividades da Unind comecem em 2027. Inicialmente, a universidade contará com dez cursos nas áreas de formação de professores, saúde coletiva e indígena, além de gestão territorial e ambiental. A expectativa é que a nova instituição atenda cerca de 2,8 mil estudantes nos primeiros quatro anos de funcionamento.
Durante a cerimônia de sanção, Lula destacou a importância da iniciativa, afirmando que ela representa um avanço na garantia dos direitos dos povos que habitam o Brasil. Ele afirmou:
“O diploma é a garantia de que esse país está preparando a sua sociedade para ser tratada como cidadã de primeira linha. Todo mundo tem direito ao conhecimento, e esse conhecimento vai permitir que as pessoas façam coisas que antes não sabiam.”
A criação da Unind é um sonho antigo das lideranças indígenas brasileiras, segundo o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena. Ele ressaltou que a universidade será um espaço propício para a produção de conhecimento, essencial para a defesa dos direitos indígenas e para o aperfeiçoamento das políticas públicas voltadas a esses povos.
“Será o local propício para a produção de conhecimento, que irá resultar na defesa dos direitos indígenas, no constante aperfeiçoamento da política pública para os povos indígenas e na consolidação da autoridade epistemológica indígena.”
A deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP), que já foi ministra dos Povos Indígenas, também comentou sobre a nova universidade. Ela informou que a Unind terá sede em Brasília, mas no futuro contará com campi em diversas regiões do Brasil.
“Ela oferecerá ensino superior, pesquisa e extensão sob uma perspectiva cultural, valorizando saberes tradicionais, línguas ancestrais e práticas que colocam a relação entre o ser humano e a natureza no centro do saber.”
Além disso, o Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena revelou que a construção do projeto da Unind foi resultado de um extenso diálogo. Foram realizados mais de 20 seminários regionais em todo o país, com a participação de professores, estudantes, indígenas e especialistas. Rita Potiguara, representante do fórum, enfatizou que a universidade será um espaço onde os conhecimentos tradicionais dialogarão com as ciências contemporâneas, assegurando a força das línguas indígenas.
“[Será] um espaço onde as línguas indígenas terão força, presença e reconhecimento institucional.”
