Em podcasts, o presidente disse que pedirá aos EUA que não se intrometam nas eleições e avisou que qualquer interferência 'vai perder'. Citou a recusa de visto a dois funcionários do Departamento de Estado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que irá se comunicar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para solicitar que ele “não se meta nos negócios do Brasil, sobretudo, nas eleições”. A declaração foi feita durante entrevistas aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, na qual Lula ressaltou que, caso haja interferência norte-americana nas eleições brasileiras, “vão perder”.
O chefe do Executivo brasileiro mencionou um episódio recente em que seu governo negou a concessão de visto a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA, cuja viagem tinha como objetivo levantar dúvidas sobre a integridade do sistema eleitoral no Brasil, segundo divulgado pelo jornal The Washington Post.
Lula também abordou a concessão do agrément a Daniel Perez, indicado para assumir a Embaixada dos EUA em Brasília. “Eles querem que eu aceite o embaixador deles apressadamente. Só depois das eleições, porque, se o embaixador dos Estados Unidos é importante no Brasil, por que eles ficaram um ano e seis meses sem mandá-lo para cá e querem agora faltando 45 dias para as eleições?”, questionou o presidente.
Apesar de suas críticas aos Estados Unidos, Lula afirmou que mantém uma relação respeitosa com Trump, dizendo que o republicano o trata “muito bem”. O presidente brasileiro relatou que está tentando agendar uma ligação direta com Trump para discutir tarifas adicionais aplicadas a produtos brasileiros e outras ações do governo norte-americano que afetam o Brasil.
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“Inventaram umas mentiras e taxaram o Brasil. Falaram que compramos coisas de trabalho escravo. É um ataque à China. E, que não cuidamos do desmatamento. Fui ao INPE na semana passada e tirei foto de um gráfico que mostra que o Brasil [registrou] o menor desmatamento. Falei: ‘Vou mandar ao meu amigo Trump'”, contou Lula.
O presidente acredita que Trump não é o responsável direto pelas medidas contra o Brasil e mencionou que expressou ao líder norte-americano sua insatisfação com os integrantes da Casa Branca que estão à frente das sanções. Lula criticou particularmente o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmando que ele “não gosta do Brasil nem da América Latina”.
“Tive a reunião com Trump e com mais quatro pessoas. Quando terminou a reunião, eu falei para o pessoal: ‘Trump é o melhor de todos eles. É o que conversa mais seriamente comigo'”, relatou o chefe do Executivo.
Além disso, Lula comentou sobre o início do procedimento de reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta às tarifas adicionais, afirmando que a iniciativa é uma forma de “mostrar que não somos pouca coisa e nos respeitamos”.
