Em post no X, Lula saudou a posse de Alliana após a destituição de Santiago Peña pelo Senado. O presidente disse esperar uma relação aberta, franca e cooperativa para fortalecer a parceria bilateral.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) felicitou nesta sexta-feira (6) Pedro Alliana, que assumiu a Presidência do Paraguai após a destituição do antecessor Santiago Peña pelo Senado do país. A posse de Alliana ocorreu depois do processo de impeachment que resultou na saída de Peña.
Em publicação na rede social X (ex-Twitter), Lula manifestou desejo de cooperação e de estreitar as relações bilaterais entre Brasil e Paraguai.
“Pleno êxito nas novas funções. Espero trabalhar com o novo líder paraguaio de maneira aberta, franca e cooperativa em prol do fortalecimento da relação bilateral e do avanço da integração da América do Sul. Espero poder recebê-lo proximamente em Brasília, oportunidade em que poderemos examinar a nossa agenda bilateral e dar renovado impulso a nossos históricos laços de amizade.”
Em resposta à felicitação, Alliana agradeceu e ressaltou a intenção de manter uma relação próxima entre os dois países.
“Nossas nações sempre estarão unidas por laços de fraternidade. Iniciaremos uma relação frutífera em homenagem aos nossos povos!”
Também nesta sexta-feira, o Senado do Paraguai decidiu, por unanimidade, destituir Santiago Peña. A decisão ocorreu depois de o ex-chefe de Estado — eleito em 2023 — ter anunciado renúncia ao cargo em meio à crise bancária envolvendo o Ueno Bank, instituição ligada a antigos sócios. O Senado ignorou o pedido de renúncia e manteve o processo de impeachment.
Se a renúncia tivesse sido aceita, Peña poderia assumir o cargo de senador vitalício, participando dos debates sem votar e com imunidade parlamentar. Com a destituição, ele poderá responder a processos judiciais.
Logo após a decisão do Parlamento, o Ministério Público do Paraguai decretou a prisão de Peña. A detenção se deu na casa do ex-chefe de Estado, na capital Assunção, e ele permanecerá custodiado na residência.
Entenda a crise bancária: milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção na terça-feira (3) cobrando a liberação de recursos do Ueno Bank, banco digital que foi colocado sob intervenção por ser considerado insolvente — incapaz de honrar seus compromissos. O Banco Central do Paraguai determinou o bloqueio de recursos públicos e das economias de milhões de clientes.
Na quarta-feira (4), o órgão suspendeu temporariamente saques de dinheiro de determinados fundos de investimento vinculados ao Ueno Bank. A instituição atendia cerca de metade dos 6,4 milhões de habitantes do país.
O Banco Central comunicou que fará um adiantamento da garantia do Fundo de Garantia de Depósitos aos poupadores do Ueno Bank, com antecipação de até 40 salários mínimos, observando que dívidas pendentes com a instituição serão deduzidas do valor. A Justiça do Paraguai determinou a prisão preventiva de oito suspeitos pelo envolvimento na crise, entre eles o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale, e o diretor-executivo, Federico Miguel Vázquez.
O cenário político e financeiro no Paraguai permanece em evolução, com desdobramentos institucionais e judiciais após a detenção de figuras ligadas à crise bancária e a tomada de posse do novo presidente.
