Lula no G7: expectativa por tarifas dos EUA e veto europeu
Lula no G7: expectativa por tarifas dos EUA e veto europeu marca a décima participação do presidente brasileiro na cúpula das sete maiores economias industrializadas, realizada entre 15 e 17 de junho em Évian-les-Bains, França. A presença de Luiz Inácio Lula da Silva desperta atenção para possíveis negociações sobre a tarifa de 25% proposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e para o recente bloqueio da União Europeia às exportações de carne, tripas, peixe e mel do Brasil.
Pressão por diálogo com Washington
A poucos dias do encontro, ainda não há confirmação de reunião bilateral entre Lula e o presidente norte-americano, Donald Trump. O relatório do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), divulgado duas semanas antes da cúpula, sustenta que o Pix e outros serviços digitais brasileiros causam supostas perdas a empresas como Visa e Mastercard, justificando a possível taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras. Durante visita à Casa Branca, em maio, os dois chefes de Estado instruíram suas equipes a buscar solução para o impasse, mas o avanço concreto ainda não ocorreu.
Tensão com a União Europeia
O segundo ponto sensível na agenda de Lula é o veto europeu à carne brasileira. Publicado em 5 de junho no Diário Oficial da UE, o ato retira o Brasil da lista de exportadores autorizados a fornecer carnes e derivados ao bloco a partir de 3 de setembro. O Itamaraty avalia a medida como “surpreendente” e sinaliza que o tema deverá aparecer em eventual conversa com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, embora esse encontro também permaneça indefinido.
Encontro garantido com o Japão
Entre as bilaterais confirmadas, Lula terá reunião com Sanae Takaichi, primeira-ministra japonesa empossada em outubro de 2025. Será o primeiro contato oficial entre os dois líderes, com expectativa de iniciar tratativas para um possível acordo comercial entre o Japão e o Mercosul.
Agenda na cúpula
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, Lula falará em três sessões. Em 16 de junho, discursa sobre parcerias para o desenvolvimento e pretende cobrar a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD). No dia seguinte, abordará crescimento econômico equilibrado, defendendo reformas na governança global, incluindo OMC e ONU. Ainda em 17 de junho, participa de almoço temático sobre Inteligência Artificial.
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Contexto político e de segurança
A viagem ocorre depois de Washington classificar as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras, decisão que o governo brasileiro tentou evitar por temer sanções econômicas ou ações militares. O novo cenário adiciona complexidade às negociações com os EUA.
Em meio a pressões comerciais e diplomáticas, a participação do Brasil como convidado do G7 também deve reforçar a busca por aliados para pautas de desenvolvimento sustentável e combate à desigualdade, prioridades reiteradas pelo presidente.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Agência Brasil
