Lula EUA Venezuela – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na última quinta-feira (18 de dezembro), que vê espaço para um acordo pacífico entre Estados Unidos e Venezuela e pretende retomar o diálogo direto com o norte-americano Donald Trump nos próximos dias para evitar qualquer intervenção militar no país vizinho.
Lula: EUA e Venezuela podem negociar sem guerra, diz presidente
Durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, em Brasília, Lula revelou que “antes do Natal” buscará novamente Trump para discutir alternativas diplomáticas que desmobilizem as tropas dos Estados Unidos posicionadas no Mar do Caribe, próximas à fronteira venezuelana, sob alegação de combate ao narcotráfico. “Estou pensando em conversar com Trump para saber como o Brasil pode contribuir para que tenhamos um acordo e não uma guerra”, declarou.
O chefe do Executivo brasileiro contou ter conversado, na semana anterior, tanto com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, quanto com Trump. Segundo Lula, o objetivo é construir uma ponte de diálogo que inclua outros países da região. “Disse ao Maduro que, se ele quisesse ajuda, precisava indicar o que espera do Brasil. E falei ao Trump que temos interesse em conversar com todos para evitar um confronto armado na América do Sul”, relatou, lembrando que o Brasil compartilha mais de 2 mil quilômetros de fronteira com a Venezuela.
Lula destacou ainda a necessidade de compreender “quais interesses estão por trás” da tensão além da tentativa de destituir Maduro. Para o presidente, “é possível negociar sem guerra” e, por isso, mantém preocupação constante com o escalonamento do conflito.
Além da questão militar, Lula comentou o tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros. Mesmo após a Casa Branca ter retirado centenas de itens da sobretaxa no mês anterior, a tarifa de 40% ainda incide sobre 22% das exportações nacionais. O presidente afirmou não ser contrário ao direito soberano de países protegerem seus mercados, mas questionou os motivos apresentados por Washington. “Os motivos da taxação não eram verdadeiros; Trump já reconheceu parte disso”, avaliou.
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As tratativas comerciais seguem conduzidas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores). Lula, porém, disse estar pessoalmente engajado e envia mensagens ao mandatário norte-americano a cada 15 dias. “Quem engorda o porco é o olho do dono. Se eu fingir que esqueço, ele acha que está tudo resolvido, e não está”, afirmou.
Analistas internacionais apontam que a mobilização militar norte-americana na região caribenha é uma das maiores desde 2019, conforme relatório recente do BBC World Service, aumentando a pressão por respostas diplomáticas.
Com a promessa de intensificar o diálogo, Lula reforçou que o Brasil se mantém disposto a mediar conversas multilaterais para garantir estabilidade na América Latina, simultaneamente buscando aliviar as barreiras comerciais que impactam a balança bilateral.
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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
