Eles mobilizaram apoiadores em atos públicos após o debate final, com propostas e acusações entre os candidatos. Pesquisas da véspera indicam empate técnico na corrida presidencial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) encerraram neste sábado (24) a campanha para o segundo turno das eleições presidenciais com atos em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Os dois disputam a Presidência neste domingo (25).
Os atos ocorreram um dia depois do último debate entre os candidatos, realizado na sexta-feira (23), marcado pela apresentação de propostas e por trocas de acusações pessoais. Na véspera da votação, pesquisas de intenção de voto indicaram empate técnico entre os presidenciáveis.
Lula começou o sábado na orla de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde apoiadores se concentraram desde as 9h, na altura do Posto 5. O presidente chegou por volta das 11h15, cumprimentou eleitores e participou da caminhada em um carro de som.
O petista estava acompanhado da primeira-dama, Janja da Silva, da deputada Benedita da Silva, do ex-prefeito Eduardo Paes, do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, e do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves. Antes da caminhada, Lula afirmou estar confiante em uma virada no segundo turno e voltou a criticar o adversário, a quem chamou de “miliciano”.
“A grande lição que 2026 deixa é que, sem o povo, não se ganham as eleições. O povo quer mudança e não quer retroceder, mas a sociedade precisa se convencer de que não pode eleger um miliciano”.
Durante o ato, o presidente agradeceu a mobilização dos apoiadores no segundo turno e destacou a atuação do chamado “Exército do Lula”, canal de WhatsApp criado por André Janones (Rede).
“Eu tenho que agradecer ao povo brasileiro, pois o que ele fez neste segundo turno não estava escrito em nenhuma página da nossa sociologia. O povo assumiu para si a responsabilidade de fazer a campanha”.
Lula também disse que gostaria de ter realizado uma caminhada na Baixada Fluminense e prometeu ampliar os investimentos na região caso seja reeleito. Em outro momento, o presidente defendeu a soberania nacional e criticou a proximidade da família Bolsonaro com os Estados Unidos.
“O povo tem que escolher: ou alguém que beija a bandeira nacional ou alguém que beija a bandeira americana. É uma questão de soberania e nós não permitiremos que o Brasil seja quintal de ninguém”.
Depois da agenda no Rio, Lula seguiu para São Paulo, onde encerrou a campanha com uma caminhada na Avenida Paulista. O ato na capital paulista reuniu apoiadores e contou com a participação de aliados políticos, entre eles o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Flávio Bolsonaro começou o sábado em Belo Horizonte, onde participou de uma motociata entre a Praça do Papa e a Praça da Liberdade, na região Centro-Sul da cidade. O candidato acompanhou o percurso sobre um carro de som e deixou a manifestação sem discursar.
Estiveram presentes o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-governador Romeu Zema (Novo). Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio destacou a importância eleitoral de Minas Gerais e São Paulo.
“Tem uma tradição de que quem ganha em Minas e São Paulo ganha o Brasil”.
Durante a motociata, Nikolas fez uma oração e, segundo relato do ato, chutou um boneco de plástico com a imagem de Lula. Após a passagem por Belo Horizonte, Flávio seguiu para o Rio de Janeiro, onde participou de uma manifestação na Praça do Ó, na Barra da Tijuca. Os apoiadores ocuparam a praça e parte das pistas da orla; o candidato cumprimentou eleitores, tirou fotografias e participou de momentos de oração com os presentes.
O senador também visitou a casa na Barra da Tijuca onde seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), se recuperou após sofrer um atentado a faca durante a campanha presidencial de 2018. A mobilização em Minas e no Rio ocorreu depois de uma série de viagens realizadas pelo candidato durante o segundo turno.
O último debate, realizado na sexta-feira (23), reuniu os presidenciáveis para discutir infraestrutura, programas sociais, segurança pública, custo de vida e transporte. Em determinado momento, Flávio afirmou ser favorável à tarifa zero nos ônibus aos finais de semana e disse que não pretende privatizar Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Lula questionou declarações antigas do adversário sobre o Bolsa Família e criticou propostas apresentadas pelo candidato do PL.
Um dos momentos de maior tensão no debate ocorreu quando Flávio disse que Lula concede benefícios “com uma mão e tira com os nove dedos”, em referência ao acidente de trabalho no qual o presidente perdeu um dedo; o senador pediu desculpas pela declaração. Lula reagiu à fala e voltou a chamar o adversário de “miliciano”. Neste sábado, o presidente publicou nas redes sociais uma fotografia de sua mão sobre a bandeira brasileira, acompanhada da mensagem: “Trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, uni-vos. Nós merecemos respeito”.
Os atos de ontem fecharam a fase de campanha na rua; agora candidatos e apoiadores se mobilizarão para a votação de domingo (25), em um cenário de disputa acirrada e pesquisas indicando empate técnico.
