Lula critica Trump durante entrevista concedida em 14 de abril de 2026, classificando como “inconsequente” a guerra dos Estados Unidos contra o Irã e afirmando que o ex-presidente norte-americano “não precisa ameaçar o mundo”. O líder brasileiro também saiu em defesa do papa Leão XIV, que trocou críticas públicas com Donald Trump.
Lula critica Trump por guerra contra Irã e apoia Leão XIV
Lula argumentou que o republicano recorre a “jogo de narrativas” para agradar parte do eleitorado e sustentar a ideia de superioridade norte-americana. Segundo ele, a força econômica dos Estados Unidos resulta do “grau de universidade” e da capacidade de trabalho do seu povo, e não de atitudes autoritárias do ex-presidente. “Trump não precisava ficar ameaçando o mundo”, declarou.
O chefe do Executivo brasileiro reforçou que as ameaças de Washington “não fazem bem à democracia” e avaliou a ofensiva sobre Teerã como “inconsequente”, sobretudo pelos impactos nos preços internacionais de combustíveis. Organizações multilaterais, como o Sistema ONU, já alertaram para possíveis reflexos econômicos e humanitários de um prolongado conflito na região do Golfo.
Lula também manifestou solidariedade a Leão XIV. No fim de semana anterior, Trump classificou o pontífice como “terrível em política externa” depois que o papa criticou a postura norte-americana no Irã e na Venezuela. “Estive com ele e saí muito bem-impressionado. Ele está correto ao questionar essas ameaças”, afirmou o presidente brasileiro.
Ao comentar a recente cooperação entre Brasil e Estados Unidos contra o tráfico internacional de armas e drogas, Lula mencionou a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) pelo Serviço de Imigração e Alfândega norte-americano (ICE). O ex-diretor-geral da Abin foi detido em Orlando após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.
“Ramagem vai ter de voltar para cumprir a pena”, disse Lula, rebatendo versões de que a detenção teria ocorrido por “uma multazinha”. A Polícia Federal confirmou, em nota, que a captura resultou de “cooperação policial internacional” e ressaltou que o nome do ex-parlamentar constava na lista de foragidos da Interpol.
O presidente lembrou que Ramagem deixou o país pela fronteira com a Guiana, usando passaporte diplomático que não estava apreendido, e embarcou para os Estados Unidos em setembro de 2025, violando decisão do STF que proibia sua saída do território brasileiro.
Com críticas à escalada de tensões e elogios ao papel do papa na defesa do diálogo, Lula reiterou que “ninguém precisa ter medo de ninguém” e voltou a defender soluções construídas em organismos multilaterais para conflitos internacionais.
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Crédito da imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
