No Rio, Lula criticou Donald Trump e pautas conservadoras, rejeitando ensino domiciliar e escolas cívico-militares. Pesquisas apontam empate técnico entre ele e Flávio Bolsonaro no eleitorado fluminense.
Luiz Inácio Lula da Silva utilizou compromissos oficiais no Rio de Janeiro nesta terça-feira, 28, para criticar o presidente norte-americano, Donald Trump, e pautas do conservadorismo. Durante evento na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Niterói, o presidente fez um discurso contundente contra o ensino em domicílio e o modelo de escolas cívico-militares.
A declaração acontece em um momento em que levantamentos eleitorais indicam um empate técnico entre o atual presidente e o senador Flávio Bolsonaro no eleitorado fluminense, o que pode intensificar a disputa política na região.
No Hospital do Andaraí, Lula aproveitou a presença do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, para enviar uma mensagem à Casa Branca. O presidente brasileiro pediu que o dirigente internacional apresente a estrutura do Sistema Único de Saúde a Trump durante uma futura reunião, destacando que o Brasil oferece a cidadãos humildes o mesmo tratamento médico que é disponibilizado ao chefe do Executivo. Lula citou, inclusive, as sessões de radioterapia que realizou em razão de um câncer de pele.
A provocação ao governo norte-americano ocorre em meio a um desgaste diplomático entre Brasília e Washington. O governo de Lula negou vistos a representantes do Departamento de Estado dos EUA após denúncias sobre checagens no sistema eleitoral brasileiro. Além disso, a administração de Trump impôs novas tarifas sobre produtos brasileiros e classificou facções como Comando Vermelho e PCC como grupos terroristas, o que agrava ainda mais a relação entre os dois países.
Lula também criticou a administração dos hospitais federais fluminenses durante a gestão de Jair Bolsonaro, acusando a família do rival de ter controlado os estacionamentos dessas unidades no passado. No evento na capital fluminense, o Ministério da Saúde entregou à OMS um relatório sobre o combate à transmissão da hepatite B de mães para bebês, que agora será avaliado pelo órgão internacional.
