O presidente afirmou neste domingo, em São Paulo, que vai procurar o presidente da Corte eleitoral para questionar ações contra canais que divulgam desinformação. Falou antes de um ato do PT na Avenida Paulista.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou, neste domingo, 11, descontentamento em relação ao posicionamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a propagação de fake news. A manifestação ocorreu antes de um discurso no evento que o PT promoveu na Avenida Paulista, em São Paulo, quando o presidente conversou com jornalistas e manifestou interesse em se reunir com o presidente da Corte eleitoral, o ministro Kassio Nunes Marques.
Ao comentar decisões do tribunal, Lula afirmou que pretende solicitar explicações sobre os encaminhamentos do TSE em processos relacionados à campanha. Segundo ele, as determinações da Corte estariam sendo desfavoráveis à sua candidatura à reeleição.
“Vou pedir explicação ao presidente da Corte eleitoral”
“Estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura.”
Parte da crítica de Lula se dirigiu à decisão do TSE de determinar a suspensão do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, iniciativa que tem comando do deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG). O presidente afirmou que não aceitará o fechamento do espaço de apoio.
“Não vamos permitir que seja fechado um canal de um deputado que está pedindo para as pessoas que querem votar em mim participar”
“Não é possível.”
O texto original registra que Lula não comentou o fato de que o canal em questão teria propagado artes e frases com fake news contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno. O espaço virtual tinha 3,4 milhões de seguidores.
Na mesma conversa, Lula voltou a fazer acusações sobre o programa econômico do adversário, afirmando que a candidatura de Flávio promoveria cortes que afetariam a população mais pobre. Em suas declarações, o presidente sugeriu que a alternativa política poderia reduzir direitos dos trabalhadores e dos mais vulneráveis.
“Possivelmente será cortar direito do povo pobre”
“Cortar direito do povo pobre.”
A campanha do senador Flávio Bolsonaro desmentiu as acusações e afirmou que manterá benefícios sociais e a gratuidade do Pix, contrapondo uma peça de desinformação atribuída a uma historiadora que apoia o PT.
As críticas ao TSE e as trocas sobre fake news intensificaram-se no contexto da campanha eleitoral. No primeiro turno, Flávio ficou à frente do presidente, com 47% a 45%. Além disso, as primeiras pesquisas de intenção de voto divulgadas para o segundo turno mostraram o candidato do PL em posição de liderança.
O episódio confirma a tensão entre o Palácio do Planalto, setores de apoio e a Corte eleitoral num momento em que a discussão sobre desinformação e regulação de canais digitais segue em destaque no debate público.
