Levantamento cruzou registros do TSE por CPF e mostra 909 mudanças na cor/raça declarada entre 2022 e 2026. O total equivale a 14,4% dos 6.315 candidatos que disputaram ambos os pleitos com dados compatíveis.
Ao menos 909 candidatos mudaram a declaração de cor ou raça registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre as eleições de 2022 e 2026. O número corresponde a 14,4% dos 6.315 candidatos que disputaram os dois pleitos e apresentaram registros comparáveis.
O cruzamento dos dados foi feito por meio do CPF, relacionando os registros de 2022 com os de 2026. A comparação considerou apenas candidatos que disputaram ambos os pleitos e cujas informações foram compatíveis; por isso os números não representam todas as candidaturas lançadas por cada partido em 2026.
As categorias consideradas foram branca, preta, parda, amarela e indígena. Registros sem informação ou classificados como não divulgáveis ficaram fora da análise.
A mudança mais frequente ocorreu entre as categorias parda e branca. Em 322 casos, candidatos que se declararam pardos em 2022 passaram a se declarar brancos em 2026. Em 317 situações o caminho foi o inverso. Juntas, essas duas alterações somaram 639 casos, pouco mais de 70% do total identificado.
Partidos com maior número de mudanças
- Republicanos — 74
- MDB — 67
- PL — 66
- Podemos — 57
- PSDB — 53
- PSD — 53
- PT — 46
- Avante — 45
- União Brasil — 42
- PSB — 41
- PDT — 39
- Novo — 38
- PSOL — 38
- Mobiliza — 38
Cargos com alterações
- Deputado estadual, federal ou distrital — 855
- Senado — 17
- Governo — 13
- Presidência — 0
Entre os 909 candidatos que mudaram a declaração, 452 passaram a se declarar pardos, 339 brancos, 98 pretos, 11 amarelos e 9 indígenas.
A declaração de cor ou raça faz parte das informações prestadas pelo candidato no registro de candidatura e trata-se de autodeclaração. O partido apresenta os dados do político ao TSE, que disponibiliza as informações na plataforma de divulgação das candidaturas.
O candidato pode se declarar branco, preto, pardo, indígena ou amarelo. Algumas legendas informaram que adotaram bancas de heteroidentificação, formadas por avaliadores responsáveis por analisar as declarações de cor ou raça dos candidatos.
Quando um candidato apresenta uma declaração diferente daquela registrada anteriormente, a Justiça Eleitoral pode pedir esclarecimentos ao político e ao partido. O procedimento permite verificar se a alteração ocorreu por erro no cadastro ou se o candidato mantém a nova declaração.
A informação sobre cor ou raça também interfere na distribuição de recursos públicos para campanhas. As regras eleitorais determinam que os partidos destinem parcela dos recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário às candidaturas de pessoas pretas e pardas. Por isso, a mudança de declaração pode afetar a divisão do dinheiro entre candidatos da mesma legenda, já que os partidos precisam considerar a declaração registrada no TSE para calcular os recursos previstos pelas regras de financiamento.

