A Justiça do Distrito Federal decidiu, na última terça-feira, 26 de maio de 2026, condenar Victor Gabriel Fagotti a 4 anos de prisão em regime semiaberto por maus-tratos a cães. Além disso, ele recebeu uma pena de 6 meses de detenção por operar um estabelecimento destinado à hospedagem de animais de forma irregular em Planaltina. O caso chocou a comunidade, pois foram encontrados cães mortos, em decomposição e sem acesso a água ou alimentação adequada.
A magistrada Junia de Souza Antunes, responsável pela sentença, destacou que as evidências mostraram que os animais estavam em “situação de abandono e desassistência”. Victor foi considerado culpado por dois crimes de maus-tratos contra cães sobreviventes e por seis crimes de maus-tratos que resultaram na morte de pelo menos seis animais entre julho e setembro de 2025, durante um período crítico de seca na região.
“O cheiro vindo da casa era muito desagradável, um horror, absurdo e muito forte”, relatou Daniela Pereira da Silva, uma das vizinhas que testemunhou a situação. Ela afirmou que o odor se espalhava pelas casas vizinhas, obrigando moradores a manterem portas e janelas fechadas.
O depoimento da vizinha foi apenas um dos muitos que compuseram o processo. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apresentou declarações de vizinhos, tutores de animais e policiais envolvidos na operação que revelou a situação precária do pet hotel.
A tutora Ana Carla Mourão, que deixou três cães sob os cuidados de Victor, afirmou que ele cobrava até R$ 1,5 mil por mês para cuidar dos animais, além das despesas com ração e atendimento veterinário. Inicialmente, ela recebia fotos e vídeos dos animais, mas com o tempo, Victor começou a dificultar as visitas e apresentava justificativas como dedetização e problemas pessoais. Por fim, ao tentar buscar seus cães, Ana descobriu que eles estavam mortos e em estado de decomposição.
“Os animais não estavam apenas mortos, mas em decomposição e queimados”, revelou Ana ao depor, evidenciando a gravidade da situação.
Outro depoimento impactante veio de Solange de Souza Araújo, que pagava R$ 600 mensais para que Victor cuidasse de sua cachorra Mel. Ela contou que, a partir de agosto, Victor parou de responder suas mensagens e impediu que ela visitasse o local. A descoberta da morte de sua cachorrinha abalou profundamente Solange, que ficou arrasada com a situação.
A equipe da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra os Animais (DRCA) que encontrou o cenário do pet hotel ficou chocada. Um dos policiais descreveu a cena como “terrível”, com animais em diferentes estágios de decomposição e dois sobreviventes extremamente magros. Ele ainda comentou que a situação era tão extrema que até mesmo agentes acostumados a casos graves ficaram abalados.
A decisão judicial reafirma a responsabilidade de Victor pelo funcionamento do espaço e pelos cuidados com os animais, uma vez que ele recebia valores para isso. Apesar das evidências, o acusado poderá recorrer da sentença em liberdade, pois a magistrada não viu motivos para uma nova prisão preventiva.
