Júri do Caso Henry chega ao 8º dia e bate recorde no RJ
Júri do Caso Henry entrou na oitava sessão consecutiva em 1º de junho, tornando-se o mais longo da história do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro ao ultrapassar o caso Flordelis.
Perito do IML reafirma causa da morte
O 21º depoimento coube ao perito Leonardo Huber Tauil, responsável pelo laudo cadavérico de Henry Borel, morto aos 4 anos em março de 2021. Tauil confirmou que a criança sofreu hemorragia interna provocada por lesão hepática decorrente de ação contundente. Ele relatou ter participado de seis complementações do laudo e realizado vistoria no apartamento onde, segundo o Ministério Público, as agressões ocorreram.
Durante a inspeção, o perito declarou não ter encontrado móveis capazes de justificar a lesão fatal, contrariando a versão inicial de que o menino teria tropeçado e caído da cama. Questionado sobre inconsistências, como o hospital de origem do corpo e a cor dos olhos anotada no documento, atribuiu os erros a lapsos de preenchimento.
Réus e expectativa para os próximos passos
Os réus Jairo Souza Santos Júnior, ex-vereador conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros, mãe de Henry, aguardam para depor. Uma liminar garantiu que Jairinho seja ouvido depois de Monique, estratégia considerada essencial pela defesa para a “plenitude de defesa”. Advogados esperam encerrar as testemunhas ainda no mesmo dia e reservar a terça-feira (2) para ouvir o casal.
O cronograma prevê que as sustentações orais ocorram na quarta-feira (3), com previsão de sentença na passagem para quinta-feira (4), feriado de Corpus Christi no estado.
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Testemunhas já ouvidas
Desde 25 de maio, 23 pessoas foram convocadas, entre elas o pai da vítima, Leniel Borel, que atua na assistência da acusação, e a babá Thayná de Oliveira Ferreira, que relatou ter alertado Monique sobre possíveis agressões. Duas ex-namoradas de Jairinho e a filha de uma delas também narraram episódios de violência contra crianças.
O Conselho de Sentença, composto por cinco homens e duas mulheres, permanece isolado durante todo o julgamento, sem acesso a redes sociais ou noticiário. O júri é presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro, responsável por fixar a pena em caso de condenação.
Comparações e relevância histórica
Com oito dias de duração, o julgamento ultrapassou o caso da ex-deputada Flordelis, concluído em 2022 após sete sessões. Especialistas apontam que a complexidade de provas técnicas e o número elevado de testemunhas justificam o tempo recorde. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, o tempo médio dos júris populares no Brasil gira em torno de dois a três dias, evidenciando a excepcionalidade do Caso Henry.
O desfecho deverá trazer repercussões não apenas para os réus, mas também para debates sobre violência infantil e responsabilidade de cuidadores, temas que ganharam destaque nacional desde a morte de Henry Borel.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
