Dados do censo divulgados na última sexta-feira, 29 de maio de 2026, revelam que o Japão enfrenta uma queda populacional sem precedentes nos últimos cinco anos. O país, que contava com aproximadamente 123 milhões de habitantes em 2025, perdeu mais de 3 milhões de pessoas em comparação ao levantamento anterior.
A retração populacional foi de 2,5%, a maior já registrada pela pesquisa realizada a cada cinco anos. Este cenário evidencia a crise demográfica que se agrava na quarta maior economia do mundo.
O governo japonês reconhece a gravidade do problema. A porta-voz oficial, Minoru Kihara, destacou que o país está lidando com um rápido envelhecimento da população e uma baixa taxa de natalidade.
Nos últimos anos, o Japão tem tentado estimular casamentos e aumentar a taxa de natalidade através de incentivos financeiros, benefícios relacionados à licença parental e até mesmo aplicativos de relacionamento. No entanto, os resultados ainda são insatisfatórios.
Dados oficiais indicam que o número de nascimentos caiu pelo décimo ano consecutivo. Em 2025, o Japão registrou apenas 705.809 nascimentos, reforçando a tendência de diminuição da população jovem.
“Estamos enfrentando um desafio demográfico significativo”, afirma Kihara.
Além disso, o envelhecimento da população é um fenômeno que vem se intensificando. O Japão tem registrado recordes consecutivos no número de centenários, que já alcançou quase 100 mil em 2025. Essa situação gera preocupações em relação à redução da população economicamente ativa, que pressiona ainda mais o sistema previdenciário japonês.
Embora a imigração possa ser considerada uma alternativa para suprir a escassez de mão de obra, a primeira-ministra Sanae Takaichi defende a adoção de regras mais rígidas para estrangeiros. Segundo a premiê, parte da população expressa “ansiedade” e “sentimento de injustiça” em relação a algumas ações ilegais cometidas por imigrantes.
Em resposta a essa preocupação, parlamentares em Tóquio aprovaram um projeto que aumenta as taxas relacionadas a vistos para estrangeiros, que poderão subir de 10 mil ienes (cerca de R$ 317) para até 300 mil ienes (aproximadamente R$ 9,5 mil).

