O Ministério das Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty, emitiu uma declaração polêmica na noite desta quarta-feira, 25, por meio de sua conta na rede social X. A mensagem utilizou a expressão “traidores da pátria” para se referir às tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, o que gerou reações diversas nas redes sociais.
A crítica parece direcionada a opositores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), sugerindo uma suposta conivência com a decisão americana de aumentar as taxas sobre as exportações brasileiras.
“Os traidores da pátria não conseguirão reescrever a história. O Brasil sabe que o tarifaço tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira”, afirmou o Itamaraty em seu post.
Essa postura do Itamaraty, que adotou um tom crítico em sua comunicação, diverge da função tradicional da pasta, que deveria agir como um órgão de Estado e não de governo. O embaixador Mauro Vieira, que chefia o Ministério, tem a responsabilidade de manter a diplomacia brasileira em um contexto neutro, independentemente da orientação política vigente.
Após a publicação, usuários nas redes sociais manifestaram descontentamento com a abordagem do Itamaraty. Um internauta questionou: “Que absurdo. Onde foi parar o Ministério das Relações Exteriores?”. Outro usuário indagou se a atuação do ministério era uma forma de “gabinete de recado da militância”. Uma terceira crítica aponta que, ao invés de se envolver em questões políticas, o governo deveria “cuidar dos brasileiros honestos”.
Durante toda a tarde, o Itamaraty fez postagens frequentes contestando as tarifas impostas pelos EUA e explicando as tentativas do governo brasileiro de negociar um novo acordo. As tarifas foram anunciadas em um momento de tensões nas relações bilaterais, exacerbadas por um ambiente institucional no Brasil considerado problemático por autoridades norte-americanas.
Entre as críticas levantadas por essas autoridades estão a atuação do Judiciário em disputas que afetam a economia, alegações de interferência nas relações comerciais e preocupações com a segurança jurídica para empresas que atuam no Brasil.
