No dia 4 de julho de 2026, Israel celebra 50 anos da Operação Entebbe, um evento que marcou a história do país. Em 27 de junho de 1976, um avião da Air France foi sequestrado por terroristas de um grupo radical palestino e de militantes de esquerda alemães. O sequestro aconteceu após uma escala em Atenas e envolveu 248 passageiros, dos quais 106 eram judeus ou israelenses.
A operação de resgate, que se tornou um marco na política de autodefesa de Israel, ocorreu no dia 4 de julho de 1976. Neste sábado, cerimônias em memória do acontecimento estão programadas em todo o país. O sequestro em Entebbe é frequentemente relembrado em debates sobre o direito de autodefesa de Israel, especialmente em um contexto contemporâneo marcado por críticas e ressurgimento do antissemitismo.
“A Operação Entebbe ajudou a estruturar um novo método de ação em Israel”, afirmam especialistas. A partir deste evento, o país adotou estratégias de prevenção e retaliação a ataques organizados por inimigos do Estado.
O sequestro ocorreu apenas quatro anos após o ataque terrorista à delegação israelense durante as Olimpíadas de Munique. Na época, a primeira-ministra Golda Meir enfrentava grandes desafios em relação à segurança dos cidadãos israelenses. O voo 139, que seguia de Tel-Aviv para Paris, foi desviado para Entebbe, onde os sequestradores mantiveram os reféns sob vigilância contínua no terminal do aeroporto.
Idi Amin, o então ditador de Uganda, comandava um governo brutal e mantinha um discurso hostil a Israel. Ele usou o sequestro como uma oportunidade para promover sua imagem internacional, em meio a uma crise profunda em seu país. As autoridades israelenses, ao tomarem conhecimento do sequestro, acionaram a França, que operava o avião, solicitando que assumisse a condução das negociações, mas a França não atendeu ao pedido.
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Sem canais de negociação, o governo de Israel decidiu agir por conta própria. A operação foi planejada pela Forças de Defesa de Israel, utilizando a unidade de elite Sayeret Matkal e a Força Aérea. O objetivo era realizar um resgate furtivo, evitando um sistema de alerta que poderia comprometer a missão. Os agentes utilizaram um carro semelhante ao de Idi Amin para enganar a guarda local.
O confronto durou entre 30 e 40 minutos, resultando na neutralização da maior parte dos sequestradores. 102 reféns foram resgatados, mas três foram mortos durante o sequestro e uma quarta vítima faleceu em um hospital em Kampala. O episódio moldou o pensamento político do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfatiza a segurança de Israel.
“A iniciativa de resgatar cidadãos sequestrados foi criticada pela comunidade internacional, com o ditador ugandense acusando Israel de violar a soberania de seu país”, ressaltam analistas.
Embora tenha enfrentado críticas de países como a Líbia, a União Soviética e a Organização da Unidade Africana, Israel recebeu apoio do Ocidente, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido. A Operação Entebbe permanece um tema relevante nas discussões sobre segurança e direitos humanos, refletindo as complexidades das relações internacionais e as tensões na região.
