No último domingo, dia 28 de junho, o governo israelense aprovou oficialmente o reconhecimento do genocídio armênio. A informação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel, destacando a unanimidade da decisão, proposta pelo ministro Gideon Saar. Este reconhecimento ocorre em um contexto de intensas tensões entre Israel e Turquia, que historicamente refutam o uso do termo para descrever os massacres de armênios durante o início do século XX.
O comunicado do Ministério das Relações Exteriores afirmou: “Decisão histórica: o governo israelense aprovou por unanimidade a proposta do ministro Gideon Saar de reconhecer o genocídio armênio.” Apesar da aprovação, a decisão ainda precisa ser ratificada pelo Parlamento israelense.
Até este momento, os governos de Israel haviam se mostrado relutantes em reconhecer oficialmente o genocídio armênio, uma vez que buscavam preservar suas relações com a Turquia, que foi um dos aliados mais próximos de Israel na região em períodos anteriores.
“Nunca é tarde demais para fazer a coisa certa (…) é ao mesmo tempo um dever moral e um dever histórico”, declarou Saar em comunicado.
A resposta da Turquia não tardou a chegar. O governo turco classificou o reconhecimento como uma decisão “política”, argumentando que Israel busca encobrir seus próprios crimes. “O governo israelense, que perseguiu sistematicamente o povo palestino diante dos olhos do mundo inteiro e está sendo julgado na Corte Internacional de Justiça por acusações de genocídio contra a população de Gaza, busca encobrir seus próprios crimes por meio da decisão política que adotou em relação aos acontecimentos de 1915”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores turco.
Estima-se que, durante o genocídio armênio, entre 600 mil e 1,5 milhão de pessoas tenham perdido a vida. Este evento é reconhecido por diversos países, sendo o Uruguai o primeiro a fazê-lo em 1965, seguido por potências como os Estados Unidos, França e Alemanha, além de nações latino-americanas, como Argentina e Chile.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, tem sido um crítico firme da guerra em Gaza, que começou após um ataque do Hamas em outubro de 2023. Ele frequentemente compara os líderes israelenses a figuras nazistas, enquanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem respondido às críticas de Erdogan, chamando-o de “ditador antissemita que comete um genocídio contra os curdos”.
A relação entre Israel e Armênia se deteriorou em junho de 2024, quando a Armênia reconheceu o Estado palestino. Na ocasião, Israel convocou o embaixador armênio para expressar seu descontentamento, mas não forneceu mais detalhes sobre a reprimenda.
