Israel manda evacuar hospitais em Beirute e OMS condena ordem. A determinação militar afeta o bairro densamente povoado de Al-Janah, onde funcionam o Hospital Universitário Rafik Hariri e o Hospital Al Zahraa, somando cerca de 450 pacientes, dos quais 40 estão em UTIs.
OMS classifica medida como inviável e pede reversão imediata
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, declarou que não existem instalações alternativas capazes de acolher os doentes. Segundo ele, as duas unidades operam no limite e a zona ameaçada inclui ainda o complexo do Ministério da Saúde do Líbano, local onde mais de 5 mil pessoas deslocadas pela guerra buscam refúgio.
“Exorto Israel a revogar a ordem e a garantir a proteção de pacientes, profissionais e civis”, disse Tedros, lembrando que hospitais, equipes médicas e ambulâncias são resguardados pelo direito humanitário internacional. A OMS informou que o sistema de saúde libanês enfrenta sobrecarga após um dos dias mais letais do conflito recente, quando bombardeios israelenses mataram 303 pessoas e feriram outras 1,1 mil. Desde 2 de março, o número de mortos ultrapassa 1,8 mil, com mais de 6 mil feridos.
Conflito já soma 93 ataques a unidades de saúde
Dados do Ministério da Saúde do Líbano apontam que, antes da nova escalada iniciada em 8 de abril, ocorreram 93 ofensivas contra estruturas médicas, resultando em 57 profissionais mortos e 158 feridos. Para o representante da OMS no país, Abdinasir Abubakar, os hospitais continuam recebendo corpos não identificados e restos mortais recuperados em áreas atingidas.
Israel alega uso militar de infraestrutura civil
Até o momento, o governo israelense não comentou publicamente a ordem de evacuação. O porta-voz das Forças de Defesa de Israel (FDI), Avichay Adraee, porém, sustenta que o grupo Hezbollah utiliza ambulâncias e hospitais para fins militares e que tais ações serão combatidas “de acordo com o direito internacional”.
A justificativa é rebatida pela Anistia Internacional. A organização afirma que Tel Aviv não apresentou provas e repete a mesma estratégia vista em Gaza: “Acusar hospitais de uso militar não autoriza transformá-los em alvos”, declarou Kristine Beckerle, diretora-adjunta para Oriente Médio e Norte da África. Em nota, a Anistia reforçou que a proteção a serviços de saúde é obrigação legal dos Estados, posição também compartilhada pela OMS.
Com a comunidade internacional acompanhando o caso, cresce a pressão para que Israel suspenda a ordem e permita a continuidade do atendimento médico em Beirute.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
