Irã diz não nutrir inimizade pelo povo dos EUA, afirma Pezeshkian — Em carta aberta “ao povo dos Estados Unidos da América”, divulgada na rede social X na última quarta-feira (1º de abril de 2026), o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que a nação persa “não alimenta inimizade” contra cidadãos norte-americanos ou de outras partes do mundo.
Irã diz não nutrir inimizade pelo povo dos EUA, afirma Pezeshkian
Redigido em inglês, o texto destaca que os iranianos diferenciam “governos de seus respectivos povos”, princípio que, segundo Pezeshkian, está “enraizado na cultura iraniana” e não se trata de “posição política passageira”. O líder argumenta que, embora o país esteja cercado por forças e bases militares norte-americanas, o Irã “jamais iniciou uma guerra desde a fundação dos Estados Unidos” e apenas fortalece suas defesas “por legítima autodefesa”.
Pezeshkian recorreu à história para justificar a desconfiança em relação a Washington. Ele citou o golpe de 1953 contra o então primeiro-ministro Mohammad Mossadegh — conhecido como Operação Ajax — e lembrou o apoio dos EUA ao xá Reza Pahlavi, aos militares iraquianos durante a guerra dos anos 1980 e às sanções “mais longas e abrangentes da história moderna”.
O presidente afirmou que tais pressões “fracassaram em enfraquecer” o país, que, após a Revolução Islâmica, teria triplicado a taxa de alfabetização, expandido o ensino superior e avançado em tecnologia e infraestrutura. Ainda assim, ele reconheceu os “impactos destrutivos” das sanções sobre a população.
No contexto da guerra entre EUA e Israel contra o Irã — que completou um mês nesta semana —, Pezeshkian questionou se a ofensiva atende a interesses norte-americanos. Ele criticou bombardeios que teriam destruído “instalações farmacêuticas de tratamento contra o câncer” e provocado “massacre de crianças inocentes”, perguntando: “Havia alguma ameaça objetiva por parte do Irã que justificasse tal comportamento?”
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O líder persa também sugeriu que Washington está sendo “manipulado” por Israel ao “fabricar uma ameaça iraniana” para desviar atenções dos “crimes contra os palestinos”. Segundo ele, o objetivo seria “lutar contra o Irã até o último soldado americano e até o último dólar do contribuinte”.
Pezeshkian reafirmou que Teerã “cumpriu todos os compromissos” negociais e classificou a retirada dos EUA de acordos nucleares como “escolha destrutiva”. Atacar infraestrutura vital iraniana, alertou, “atinge diretamente o povo” e reforça a necessidade de defesa.
Ao final da carta, o presidente convidou os norte-americanos a “ir além da máquina de desinformação”, conversarem com visitantes do Irã e observarem a diáspora acadêmica iraniana em universidades e empresas de tecnologia ocidentais.
O conflito já fechou o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, elevando o preço do barril em 50%. Pesquisadores alertam para riscos ambientais e climáticos associados ao confronto. Ainda nesta quarta, o presidente dos EUA, Donald Trump, deve fazer pronunciamento às 22h (horário de Brasília) sobre a crise.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
