O governo iraniano criticou as novas sanções americanas e cobrou medidas concretas para negociar a volta do tráfego no Estreito de Ormuz. Porta-voz e vice-ministro alertaram para o risco de escalada regional.
O governo do Irã criticou as sanções anunciadas pelos Estados Unidos, apelidadas de ‘Dia D econômico’, e cobrou medidas concretas para que a reabertura do Estreito de Ormuz seja discutida de forma prática. As declarações foram feitas pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores e por um vice-ministro, segundo comunicado divulgado no mesmo dia.
O porta-voz do ministério ironizou a estratégia de pressão econômica e apontou para o risco de que medidas desse tipo ultrapassem a disputa bilateral entre Teerã e Washington. Em uma mensagem divulgada na rede X, ele questionou a postura americana de forçar governos e empresas a escolher entre seguir as determinações dos EUA ou enfrentar sanções, citando como exemplo a recente disputa comercial entre Estados Unidos e Canadá.
Quando um ‘valentão’ declara que todo banco, empresa, porto e governo deve escolher entre obedecer aos caprichos de Washington ou enfrentar a vingança americana, isso já não é apenas sobre o Irã
Em paralelo, o vice-ministro das Relações Exteriores afirmou hoje, durante encontros com mediadores nas negociações com os Estados Unidos, que os americanos precisam corrigir erros e voltar a cumprir compromissos se quiserem avanços que levem à reabertura do Estreito de Ormuz. A declaração aponta para a exigência iraniana de que medidas políticas e diplomáticas sejam seguidas por ações concretas por parte de Washington.
Sobre um acordo regional, o vice-ministro ressaltou que o entendimento anunciado entre Irã e Omã nesta terça-feira ‘não significa abrir o Estreito de Ormuz’. No momento, os países concordaram com a criação de um corredor temporário e manifestaram a intenção de estabelecer uma rota permanente em Ormuz no prazo de 60 dias, segundo a agência Tasnim.
não significa abrir o Estreito de Ormuz
A posição iraniana destaca dois pontos centrais: a crítica às sanções extra-territoriais que afetam aliados e empresas de terceiros e a exigência de garantias diplomáticas para que qualquer iniciativa de segurança ou navegação em Ormuz avance. A menção a um corredor temporário seguida da promessa de trabalhar para uma rota permanente em 60 dias indica que há um calendário definido para negociações práticas entre os países envolvidos.
As declarações chegam em meio a um cenário de tensão e negociações, em que Teerã condiciona passos adiante à correção, na visão iraniana, de medidas americanas que teriam afastado a confiança necessária para soluções duradouras. A expectativa agora é observar como os interlocutores internacionais e os aliados dos EUA reagirão às cobranças e aos prazos mencionados pelo Irã.
