Irã ameaça romper cessar-fogo após bombardeios de Israel ao Líbano
Irã ameaça romper cessar-fogo e retaliar Israel depois dos intensos ataques aéreos contra o Líbano na quarta-feira (8 de abril). Autoridades em Teerã disseram à imprensa local que o país avalia “uma ofensiva de defesa em grande escala” diante da violação do acordo de trégua, firmado com mediação internacional.
Teerã cobra cessar-fogo em todas as frentes
De acordo com a emissora estatal Press TV, um alto funcionário de segurança advertiu que Israel “recorreu à violação de um cessar-fogo frágil e temporário”. O Irã exige que a pausa nos combates inclua simultaneamente o Líbano e a Faixa de Gaza, palco de bombardeios israelenses há mais de 40 dias.
Nas redes sociais, Ebrahim Rezaei, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, defendeu suspender a trégua e fechar o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás que abastece o planeta. As Forças Armadas iranianas informaram que manterão “controle inteligente” sobre a via marítima, sem detalhar as medidas.
Israel mantém ofensiva no sul do Líbano e em Beirute
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou apoiar o pacto negociado entre Estados Unidos e Irã, mas ressaltou que o Líbano ficaria fora da cobertura do cessar-fogo. Pouco depois, as Forças de Defesa de Israel (FDI) bombardearam 100 alvos em apenas dez minutos no sul do país vizinho e na capital, Beirute.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, a ofensiva provocou dezenas de mortes e centenas de feridos. Vídeos de edifícios destruídos circulam nos principais veículos de comunicação locais. O grupo Hezbollah pediu aos deslocados que não retornem às suas casas até que uma trégua “oficialmente decretada” seja garantida no território libanês.
Números crescentes de vítimas e deslocados
Em balanço divulgado anteriormente, o Ministério da Saúde do Líbano estimava que, desde o início da atual fase do conflito, em 2 de março, mais de 1,5 mil pessoas foram mortas e outras 4,8 mil ficaram feridas. Além disso, 93 unidades de saúde foram atingidas e 57 profissionais de saúde perderam a vida. Mais de 1 milhão de habitantes tiveram de deixar suas residências durante o período.
Preocupação internacional com a trégua
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, condenou os ataques a áreas densamente povoadas, classificando-os como desrespeito “ao direito internacional humanitário”. Já o premiê do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou a trégua entre Washington e Teerã, alertou que a violação “compromete o processo de paz” e apelou para que todas as partes respeitem as duas semanas de cessar-fogo previamente acordadas.
Com a ameaça iraniana de retomar operações militares e o risco de interrupção no Estreito de Ormuz, analistas apontam um possível impacto imediato no fluxo global de energia e na estabilidade regional.
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Crédito da imagem: REUTERS/Claudia Greco
Fonte: REUTERS/Claudia Greco
