Irã ameaça indústria de energia e orienta evacuação no Golfo Irã ordenou, em 18 de março, a retirada imediata de trabalhadores de cinco grandes complexos de petróleo e gás localizados no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, classificados como “alvos legítimos” em retaliação a ataques recentes contra sua infraestrutura energética.
Instalações de petróleo e gás sob risco iminente
O comunicado da Guarda Revolucionária Islâmica, divulgado pela estatal Press TV, cita a refinaria Samref e o complexo petroquímico Al-Jubail, na Arábia Saudita; o campo de gás Al-Hosn, nos Emirados Árabes; além do complexo petroquímico Al-Mesaieed e da refinaria de Ras Laffan, ambos no Catar. A nota recomenda que residentes se desloquem para áreas seguras e mantenham distância de qualquer instalação petrolífera associada aos Estados Unidos.
Retaliação a bombardeios em South Pars
Autoridades iranianas afirmam que a ameaça responde aos bombardeios israelenses e norte-americanos contra o campo de gás South Pars, na fronteira com o Catar, e contra as unidades de refino de Asaluyed, na costa iraniana. Segundo a agência Fars News, uma fonte militar advertiu que “os mercados de energia sofrerão um novo choque” caso os países do Golfo persistam em apoiar ações contra Teerã.
Mercado reage com alta do Brent
No mercado internacional, o barril Brent avançou cerca de 5%, sendo negociado a US$ 108, movimento atribuído ao temor de interrupções no fornecimento. Especialistas lembram que aproximadamente 25% do petróleo global atravessa o Estreito de Ormuz, rota que pode ser afetada por uma escalada militar na região. Análises da Reuters apontam que novas tensões envolvendo o Irã costumam pressionar prêmios de risco e ampliar a volatilidade dos preços.
Reações de Doha e Riad
O ministro das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, classificou qualquer ataque a infraestrutura energética como “uma ameaça à segurança global” e instou todas as partes a evitarem alvos civis. Já a Arábia Saudita convocou, em Riade, uma reunião com países árabes e islâmicos para coordenar respostas diplomáticas e reforçar a estabilidade regional. O governo saudita relatou a interceptação de dois mísseis balísticos e um drone em seu território oriental na mesma data do anúncio iraniano.
Perspectivas para a segurança energética
Analistas avaliam que a retórica mais dura de Teerã amplia a incerteza sobre o fornecimento de petróleo e gás do Golfo Pérsico, região responsável por quase um terço da produção mundial de hidrocarbonetos. Caso os ataques se concretizem, refinarias e terminais de exportação críticos podem ser afetados, agravando pressões inflacionárias e o custo dos combustíveis em todo o planeta.
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Crédito da imagem: Dado Ruvic/Reuters
Fonte: Reuters
