O Irã emitiu um alerta neste domingo (28) para todas as embarcações que tentarem desviar da rota demarcada pelo país no Estreito de Ormuz, afirmando que essa ação “aumentará as tensões” na região do Oriente Médio. O cenário atual é marcado por uma instabilidade significativa, resultante de uma troca de ataques entre Teerã e os Estados Unidos nesta importante via marítima.
Na mesma data, o Irã bombardeou o Kuwait e o Bahrein em resposta a ataques americanos ocorridos na véspera, intensificando um conflito que ameaça as negociações para o fim da guerra. Ambas as nações se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo estabelecido em um memorando de entendimento assinado em 17 de junho, que trata do controle do Estreito de Ormuz, atualmente bloqueado pelo Irã desde o início do conflito.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, chegou a Bagdá neste domingo e fez um apelo para que “todas as partes não interfiram na administração do estreito” e para que o memorando de entendimento não se desvie de sua trajetória.
Araghchi enfatizou que “nenhuma outra instituição nem qualquer outro país” é responsável pela administração do estreito, além do Irã. O memorando assinado entre Washington e Teerã estabelece que o Irã se compromete a garantir a passagem segura de embarcações pelo Estreito de Ormuz e a reabertura do tráfego na região.
Adicionalmente, o documento menciona que Irã e Omã devem colaborar para definir a futura administração do estreito. O Irã, no entanto, tem demonstrado desconfiança em relação ao anúncio de Omã sobre uma nova rota próxima ao seu litoral, que foi apresentada como uma iniciativa coordenada com a Organização Marítima Internacional (OMI).
Atualmente, a única rota autorizada pelo Irã é um corredor próximo ao seu litoral. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), adotada em 1982, garante o direito de “passagem em trânsito” pelos estreitos utilizados para navegação internacional, como é o caso do de Ormuz. Este tratado, no entanto, não foi ratificado pelo Irã.
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Desde quinta-feira, dois navios foram atingidos por projéteis de origem desconhecida na passagem marítima, incidentes que os Estados Unidos atribuíram ao Irã, levando a uma resposta militar americana. O presidente Donald Trump reiterou ameaças contra a República Islâmica, enquanto os Guardiões da Revolução, o exército ideológico iraniano, informaram sobre ataques a bases militares no Kuwait e no Bahrein.
Na madrugada deste domingo, os Guardiões afirmaram ter destruído “oito importantes infraestruturas do Exército dos Estados Unidos” nas bases citadas. Em meio a esses conflitos, o Catar informou que um de seus cidadãos faleceu devido a estilhaços de operações militares na região.
Apesar das tensões, a imprensa iraniana anunciou que a retomada dos voos entre Teerã e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, está prevista para esta segunda-feira.
No Líbano, a situação também se agrava, com Israel continuando a bombardear o sul do país, mesmo após um acordo preliminar assinado em Washington que visava estabelecer uma “paz duradoura”. A agência de notícias estatal libanesa NNA reportou novos bombardeios, enquanto o exército israelense relatou a morte de um soldado em combates recentes.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que a retirada de Israel do Líbano é “uma condição essencial” para alcançar um acordo definitivo que garanta segurança na região.
No contexto das negociações, o principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, indicou que seu país abordou seriamente a questão da ocupação israelense do Líbano durante uma conversa por telefone com o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri.
