Integração das polícias contra facções é insuficiente, diz promotor — A integração das forças de segurança no Brasil ainda é frágil, avalia o promotor paulista Lincoln Gakiya, responsável por investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e jurado de morte pela facção.
Promotor vê risco de narcoestado sem coordenação efetiva
Na sessão de 25 de novembro de 2025 da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, Gakiya afirmou que a falta de coordenação entre polícias federal, estaduais e Ministério Público facilita o avanço de facções. Ele alertou que, caso o cenário permaneça, o país “caminha a passos largos” para se tornar um narcoestado, já que grupos como o PCC se infiltram na economia formal e dependem de mecanismos digitais pouco regulamentados para lavagem de dinheiro.
Fintechs, bets e criptomoedas impulsionam lavagem de dinheiro
Segundo o promotor, as organizações criminosas utilizam fintechs, sites de apostas e criptomoedas para ocultar patrimônio. A inexistência de fiscalização consistente foi ressaltada como a principal brecha. Relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime corrobora o diagnóstico ao apontar o aumento global de operações financeiras ilícitas via plataformas digitais.
Críticas ao PL Antifacção e à polarização política
Gakiya considerou insuficiente o Projeto de Lei Antifacção aprovado na Câmara dos Deputados. Para ele, o texto não diferencia líderes e “soldados” das organizações, nem separa facções com estrutura mafiosa de grupos menos complexos. O promotor também condenou a polarização política entre governos federal e estaduais, fator que, segundo ele, desestimula a cooperação institucional, citando a Operação Carbono Oculto como exceção motivada por iniciativa de servidores, não por integração formal.
Proposta de Autoridade Nacional contra o crime organizado
Como solução, o promotor sugeriu a criação de uma Autoridade Nacional que reúna representantes de todas as polícias e órgãos de controle. O objetivo seria garantir continuidade às políticas de segurança e superar disputas corporativas. Ele defendeu ainda que mudanças legislativas tenham foco em mecanismos investigativos robustos, e não apenas em aumento de penas.
No encerramento da audiência, Gakiya reforçou que a cooperação entre esferas de governo é a única via para evitar que facções substituam o Estado em áreas estratégicas da economia e da administração pública.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
