Injúria racial no Rio motivou a ida da advogada argentina Agostina Páez ao banco dos réus; agora, após decisão judicial, ela já está de volta a Buenos Aires.
Injúria racial no Rio: argentina Agostina Páez retorna ao país
Liberação autorizada pela Justiça fluminense
A 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro autorizou, em 31 de março, que Agostina Páez recuperasse o passaporte e tivesse a tornozeleira eletrônica retirada. A medida permitiu a saída da ré do Brasil, desde que ela pagasse caução de R$ 97 mil, valor fixado pelo relator, desembargador Luciano Silva Barreto, e permanecesse à disposição do processo por injúria racial.
Retorno à Argentina confirmado
De acordo com o jornal argentino La Nación, Páez desembarcou em Buenos Aires na noite de 1º de abril. À imprensa local, declarou arrependimento pelo comportamento exibido em 14 de janeiro, quando ofendeu três funcionários de um bar na Rua Vinícius de Moraes, em Ipanema, zona sul carioca. Na ocasião, ela utilizou o termo “mono” — macaco, em espanhol — e imitou gestos do animal, atitudes captadas por câmeras de segurança.
Histórico do caso
Páez foi detida por poucas horas em 6 de fevereiro e liberada mediante uso de monitoramento eletrônico. O Ministério Público do Rio denunciou três ocorrências de injúria racial, uma vez que as ofensas abrangeram todos os empregados envolvidos na cobrança contestada pela cliente. O crime está previsto no artigo 140, § 3º, do Código Penal, e ganhou status de racismo após a Lei 14.532/2023, conforme explica o Ministério da Justiça.
Processo prossegue no Brasil
Mesmo fora do território nacional, a advogada continua sujeita às audiências e intimações. Ela se comprometeu, por escrito, a informar endereço atualizado e comparecer sempre que convocada. Caso descumpra, poderá ter a liberdade revogada e ser incluída em listas de difusão da Interpol.
O episódio reacende o debate sobre condutas discriminatórias em espaços públicos e reforça o papel da Justiça brasileira no combate ao racismo, crime imprescritível e inafiançável desde 1988.
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Crédito da imagem: Polícia Civil do Rio de Janeiro
Fonte: Agência Brasil
