Infecções hospitalares caem 26% em hospitais públicos após a adoção do projeto Saúde em Nossas Mãos, iniciativa que atua em unidades de terapia intensiva (UTIs) de todo o país.
Resultados expressivos em apenas 13 meses
Entre setembro de 2024 e outubro de 2025, o programa registrou queda de 26% nas infecções hospitalares em UTIs adultas, pediátricas e neonatais. O recuo contempla três tipos críticos de contaminação: infecção primária de corrente sanguínea associada a cateter venoso central, pneumonia ligada à ventilação mecânica e infecção do trato urinário relacionada a cateter vesical.
Com a redução, o Sistema Único de Saúde (SUS) economizou mais de R$ 150 milhões, valor calculado a partir dos custos evitados no tratamento dessas complicações. Cada infecção prevenida poupa entre R$ 60 mil e R$ 110 mil aos cofres públicos.
Parceria de seis hospitais de excelência
Desenvolvido pelos hospitais Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa de São Paulo, Albert Einstein, do Coração (Hcor), Moinhos de Vento e Sírio-Libanês, o projeto integra o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), conduzido pelo Ministério da Saúde. A abordagem prevê troca de experiências entre equipes multidisciplinares, criação de protocolos padronizados e monitoramento contínuo de indicadores de qualidade.
“Trata-se de um movimento de aprendizagem no qual todos ensinam e todos aprendem, focado nas três principais infecções relacionadas à assistência”, afirmou, em nota, a coordenadora-geral Claudia Garcia. Segundo ela, as práticas adotadas reduzem morbidade, mortalidade e custos hospitalares.
Meta de 50% até o fim do ano
O Saúde em Nossas Mãos pretende alcançar redução total de 50% nas infecções até dezembro de 2026. A impulsão desse índice está alinhada às metas internacionais de segurança do paciente; estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que contaminações associadas à assistência ocasionam até 3,5 milhões de óbitos anuais em todo o planeta.
Para atingir o novo patamar, os hospitais participantes intensificam capacitações, auditorias de processos e campanhas de conscientização sobre higienização das mãos, uso racional de dispositivos invasivos e adesão rigorosa a bundles de prevenção.
Economia e impacto social
Além da poupança direta, a diminuição das infecções libera leitos, reduz tempo de internação e melhora o prognóstico de pacientes críticos. O efeito cascata beneficia usuários, profissionais de saúde e a gestão financeira do SUS.
Os organizadores do projeto destacam que a replicação das práticas é viável em diferentes realidades hospitalares, desde que haja compromisso institucional e monitoramento contínuo de resultados.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
