Impasse na OMC impulsiona países a considerar novos acordos de livre comércio
Impasse na OMC impulsiona países a considerar novos acordos de livre comércio e pode redefinir a arquitetura do comércio global, segundo diplomatas ouvidos pela agência Reuters. A avaliação ocorre às vésperas da conferência ministerial de quatro dias, marcada para Yaoundé, capital de Camarões, onde representantes tentarão destravar uma reforma ampla da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Reunião ministerial em Yaoundé decide futuro da organização
Lançada após a Segunda Guerra Mundial como sucessora do GATT, a OMC enfrenta dificuldades para atualizar suas regras e restaurar o mecanismo de solução de controvérsias, paralisado há seis anos. A pauta inclui a criação de um roteiro de modernização capaz de acomodar novas realidades digitais e preocupações ambientais. No entanto, documentos internos revelam falta de consenso entre os 164 membros sobre como estruturar a reforma.
Tensões geopolíticas e tarifas elevam pressão por soluções
O encontro ocorrerá sob o impacto do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que afetou o fornecimento global de energia e ampliou o risco de desaceleração econômica. Paralelamente, as tarifas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, aprofundaram as disputas comerciais, pondo em xeque a relevância da OMC para mediar desentendimentos multilaterais.
De acordo com o ministro do Comércio da Suécia, Benjamin Dousa, “nosso ‘Plano A’ é avançar dentro do sistema da OMC, mas há muitos obstáculos”. Ele adiantou que, caso a reunião fracasse, a União Europeia deve “seguir um caminho paralelo” por meio de acordos regionais ou bilaterais de livre comércio.
Europa e parceiros buscam rotas alternativas
A falta de avanços pode estimular economias dependentes de exportação — como Canadá, Coreia do Sul e Austrália — a negociar tratados plurilaterais focados em setores específicos, estratégia que já vem sendo discutida informalmente em Genebra. Especialistas lembram que, sem a segurança jurídica proporcionada pela OMC, países tendem a recorrer a pactos mais restritos, potencialmente fragmentando o sistema global.
Informações detalhadas sobre o histórico e o mandato da OMC podem ser consultadas no site oficial da Organização Mundial do Comércio, considerado referência de alta autoridade no tema.
Enquanto diplomatas buscam consenso, o setor privado acompanha com apreensão. Entidades industriais afirmam que a previsibilidade das regras é decisiva para atrair investimentos e evitar choques de oferta semelhantes aos registrados durante recentes crises energéticas.
No cenário atual, o impasse em Yaoundé não apenas testará a capacidade de coordenação multilateral, mas também determinará se o comércio internacional caminhará para maior integração ou para uma arquitetura de acordos sobrepostos.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
