Haddad disse a jornalistas que o discurso de Milei foi 'incompatível' com a relação entre Brasil e Argentina. Ele chamou a postura de 'desrespeitosa' e afirmou que isso não seria tolerado se viesse de Lula.
O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), comentou neste domingo (26) sobre o discurso do presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção do Partido Liberal (PL), afirmando que foi “completamente incompatível” com a relação entre Brasil e Argentina. Em declarações a jornalistas, Haddad classificou a postura de Milei como “desrespeitosa”.
“Imagine se fosse ao contrário, se o presidente Lula, que já visitou a Argentina inúmeras vezes, fosse desrespeitoso com juízes da Argentina. Uma coisa é manifestar apoio. Se você tem um alinhamento ideológico com uma pessoa e quer demonstrar simpatia. Outra coisa é desrespeitar o país”, disse Haddad.
O ex-ministro ressaltou a importância de não confundir governo com Estado, destacando que “a direita confunde Estado com governo e se perde nessa confusão”. Ele ainda afirmou que não se pode naturalizar o desrespeito institucional, algo que, segundo ele, não condiz com a relação de países que são irmãos e compartilham valores há séculos.
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Ao ser questionado sobre a preocupação com possíveis interferências estrangeiras nas eleições brasileiras, Haddad expressou sua opinião sobre um recente episódio envolvendo os Estados Unidos, considerando-o “uma provocação meio barata”. “O mundo inteiro inveja o sistema eleitoral brasileiro”, declarou o ex-ministro.
Na última sexta-feira (24), o jornal The Washington Post informou que o Departamento de Estado dos Estados Unidos planejava enviar dois oficiais ao Brasil, com o intuito de levantar dúvidas sobre a lisura e a integridade do sistema eleitoral brasileiro. No mesmo dia, o governo brasileiro negou visto aos funcionários norte-americanos.
Ainda segundo Haddad, um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos negou que a missão ao Brasil visasse interferir nas eleições. De acordo com a fonte, os integrantes do órgão estariam no país para realizar reuniões entre os dias 27 e 30 de julho, com o objetivo de discutir a integridade eleitoral, liberdade religiosa e de expressão.
