A AIE cortou drasticamente sua estimativa de demanda global de petróleo para 2026. A queda prevista é quase três vezes maior que a do mês anterior, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio.
A Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou uma nova redução na previsão de demanda mundial de petróleo para 2026, em seu relatório mensal publicado nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026. A entidade destacou o impacto “considerável” da guerra no Oriente Médio sobre essa expectativa.
Conforme a AIE, a demanda global deve cair em 1,1 milhão de barris diários em 2026, representando uma redução quase três vezes maior do que a prevista no mês anterior. Essa revisão para baixo reflete as atuais condições do mercado e as incertezas geopolíticas que afetam a oferta de petróleo.
Os números preliminares indicam que as entregas de petróleo durante o segundo trimestre de 2026 apresentaram uma queda de quase 5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa diminuição está atrelada ao aumento dos preços dos combustíveis e às dificuldades de abastecimento enfrentadas pelos países consumidores.
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Este retrocesso trimestral nas entregas é o primeiro desde 2020, conforme enfatiza a AIE. Apesar da queda na demanda, a agência observa que os estoques de petróleo continuam a diminuir em um ritmo recorde, o que agrava ainda mais a situação do mercado.
Os dados revelam que os estoques estão especialmente baixos nos países da OCDE, que registraram uma redução de 163 milhões de barris, atingindo o menor nível desde 1990. Em escala global, os estoques caíram quase 220 milhões de barris entre abril e maio, conforme relatado pela AIE.
Embora o recente acordo entre os Estados Unidos e o Irã, que visa encerrar as hostilidades e desbloquear o Estreito de Ormuz — uma rota vital para 20% do petróleo mundial — possa abrir oportunidades para a retomada das exportações do Oriente Médio, a AIE alerta que as limitações operacionais e políticas ainda persistem e “ofuscam as perspectivas” para a recuperação do mercado.
Para 2027, a AIE projeta um aumento “modesto” da demanda, estimando um crescimento em torno de 2 milhões de barris por dia, enquanto a oferta deve ter uma recuperação significativa de 8 milhões de barris por dia. Esse cenário poderia representar um “alívio bem-vindo” para o mercado de petróleo e uma oportunidade para a recuperação dos estoques.
