Representantes do governo, membros do Judiciário e especialistas discutem inteligência artificial, deepfakes e eleições em Lisboa. O encontro promete acender debates sobre os limites da regulação estatal no ambiente digital.
LISBOA — O evento Gilmarpalooza, que começou com um dia repleto de autoridades na Universidade de Lisboa, entra em sua segunda etapa nesta terça-feira, 2, focando em temas sensíveis do ponto de vista político e institucional. A programação, marcada por debates sobre inteligência artificial, eleições, plataformas digitais, deepfakes e os limites da regulação estatal sobre o ambiente online, promete atrair a atenção de especialistas e representantes do governo.
No segundo dia, o evento reúne representantes do governo Lula, membros do Judiciário, especialistas em direito digital e executivos de empresas de tecnologia renomadas, como Google e OpenAI, que participarão de discussões sobre o impacto da inteligência artificial nas eleições.
Um dos destaques do dia será a palestra do jornalista Thomas Friedman, colunista do New York Times. Ele se juntará ao ministro Gilmar Mendes no painel “Nova Ordem Global: Tecnologia, Geopolítica e o Futuro da Democracia”, moderado por André Esteves, CEO do BTG.
A agenda do evento também conta com a participação de integrantes da administração federal que estão diretamente envolvidos em discussões sobre a regulação digital. O secretário nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, Victor Fernandes, participará de um painel sobre a governança dos mercados digitais e, em outra mesa, discutirá a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.
Além disso, a chefe de gabinete da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Samara Castro, também contribuirá em debates sobre a atuação do poder público diante dos desafios tecnológicos atuais.
Um dos painéis mais esperados é aquele que abordará o uso da inteligência artificial generativa nas eleições. Esse debate reunirá pesquisadores, advogados e representantes das plataformas, incluindo Maria Eduarda Cintra, do Google Brasil, e Bruno Lewicki, da OpenAI, além de especialistas em direito digital e governança tecnológica.
Outro tema relevante em discussão será a regulação do ambiente digital, contando com a presença de representantes do Ministério da Justiça, da iniciativa privada e da academia. A programação ainda inclui debates sobre deepfakes, fraudes digitais, jornalismo na era das plataformas, criptoativos e a concorrência nos mercados digitais.
No período da tarde, a ministra do Tribunal Superior do Trabalho, Morgana de Almeida, participará do painel que discutirá os impactos da tecnologia no mercado de trabalho, além das conversas sobre a redução da jornada laboral.
O dia será encerrado com um debate sobre representação política e parlamentos na era digital, que reunirá o ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Floriano de Azevedo Marques Neto, o deputado Orlando Silva, o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o senador Camilo Santana.
Enquanto o primeiro dia do evento se concentrou nas interações entre autoridades e articulações nos bastidores, a programação desta terça-feira promete trazer à tona um dos principais temas do fórum: o avanço da tecnologia e o papel dos governos, tribunais e plataformas na definição das regras do ambiente digital.

