O Executivo levantou quase R$3 trilhões em 2025, mas terminou o ano com déficit de R$60 bi. Desde 2023, 46 medidas tributárias — aumento de alíquotas e corte de benefícios — mudaram consumo e crédito.
O governo federal arrecadou quase R$ 3 trilhões em 2025, mas manteve um desequilíbrio nas contas públicas ao fechar o ano com déficit primário na casa dos R$ 60 bilhões. A notícia foi publicada em 05/09/2026.
Desde 2023, mudanças na legislação tributária mudaram a rotina do consumidor: comprar em plataformas on-line, buscar crédito ou abastecer o carro passaram a ter novas regras. O governo aumentou alíquotas, retomou cobranças e reduziu benefícios fiscais em setores como combustíveis, importações e investimentos.
Um levantamento do Instituto Livre Mercado identificou 46 medidas implantadas ou anunciadas até julho de 2026. A lista reúne aumentos de alíquotas, retomada de cobranças, redução de benefícios e alterações em impostos sobre investimentos, importações, apostas esportivas e operações financeiras. Nem todas as propostas avançaram no mesmo ritmo ou permaneceram em vigor, mas, em conjunto, elas apontam a direção adotada pela equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad: elevar a receita para financiar as despesas federais e buscar o cumprimento das metas fiscais.
O movimento começou em 2023, com 16 iniciativas. Naquele ano foram retomados tributos sobre combustíveis, regulamentada a cobrança sobre apostas esportivas, alterada a tributação de fundos exclusivos e offshores e modificado o funcionamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Também houve aumento do IPI sobre armas e munições.
Em 2024, nove medidas entraram no registro. Entre elas está o chamado “imposto das blusinhas”, aplicado a compras internacionais de pequeno valor; maior tarifa de importação para painéis solares; e a volta integral do PIS/Cofins sobre diesel e biodiesel.
Em 2025, a ofensiva tributária se intensificou, com 18 iniciativas. O aumento do IOF atingiu diferentes operações de crédito, e foram anunciadas mudanças na tributação de aplicações que antes tinham rendimentos isentos de Imposto de Renda, como letras de crédito e certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio.
A Receita Federal recolheu quase R$ 2,5 trilhões em 2023, e a arrecadação de 2025 alcançou o maior resultado da série histórica, com crescimento real de 3,65% sobre 2024. Ainda assim, o dinheiro adicional não eliminou o desequilíbrio: o governo terminou 2025 com déficit primário próximo de R$ 62 bilhões, equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto. A meta fiscal foi considerada cumprida após a exclusão de determinadas despesas permitidas pelas regras vigentes, incluindo parte dos precatórios.
Enquanto a arrecadação batia recordes, o custeio administrativo da União chegou perto de R$ 73 bilhões, o maior valor em nove anos. Desde 2023, as viagens nacionais e internacionais do governo consumiram mais de R$ 7 bilhões, segundo os dados reunidos no levantamento.
O estudo também compara a política fiscal atual com a adotada entre 2019 e 2022, no período em que Paulo Guedes foi ministro da Economia, quando a estratégia priorizou reduções de impostos e desonerações para estimular a atividade econômica. Naquele período, a arrecadação federal passou de R$ 1,5 trilhão em 2019 para mais de R$ 2,2 trilhões em 2022, apesar do impacto da pandemia.


