Um relatório da biblioteca de anúncios da Meta, empresa responsável pelas redes sociais Facebook, Instagram e WhatsApp, revela a expressiva vantagem do governo federal na publicidade digital. Entre os dias 3 de abril e 1º de julho de 2026, o governo do Brasil se destacou como o maior anunciante da plataforma, com um total de R$ 22,5 milhões investidos em anúncios. Em segundo lugar, o Partido dos Trabalhadores (PT), também sob a liderança do presidente Lula, aplicou R$ 2,8 milhões em publicidade.
Essa situação coloca lado a lado o governo e o partido em um cenário em que ambos competem por atenção no ambiente digital, especialmente em um ano eleitoral. O investimento massivo em anúncios por parte do governo é um indicativo da utilização de recursos públicos em campanhas eleitorais, levantando questões sobre a equidade na disputa.
Uma comparação mais detalhada mostra a discrepância nos investimentos. Enquanto o governo federal injetou milhões nas redes sociais, o candidato à reeleição e governador do Estado de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, do Republicanos-SP, aparece na lista com um investimento de apenas R$ 623 mil, um valor 35 vezes menor que o de Lula. Tarcísio é o primeiro político a surgir na lista após o presidente, ocupando a 7ª posição.
Além disso, o governo do Estado de São Paulo também figura no ranking, com um investimento aproximado de R$ 537 mil, ocupando a 10ª posição. Embora atuem em esferas diferentes do Poder Executivo, a diferença nos valores investidos destaca o domínio político de Lula nas redes sociais da Meta.
O investimento do governo não se restringe a uma comunicação institucional, mas se configura como uma vantagem significativa, com uma presença digital robusta, em parte custeada por recursos públicos. Esta realidade levanta questionamentos sobre a intenção por trás da publicidade: será que Lula está utilizando a máquina pública para informar a população ou para favorecer sua campanha de reeleição de forma desigual?
Para a oposição, estes dados podem servir como uma ferramenta valiosa no contexto eleitoral. Enquanto os adversários lutam por espaço com orçamentos limitados, a base governista entra na disputa com um suporte financeiro substancial, oriundo tanto do Palácio do Planalto quanto do próprio PT.
A Meta, por sua vez, não se envolve na avaliação do conteúdo dos anúncios, dada a quantidade imensa de material que precisa ser filtrado. Desde 2020, foram quase 7 milhões de anúncios veiculados no Brasil, abrangendo temas como eleições e política, com um valor total que ultrapassa R$ 1 trilhão investidos na plataforma.
