A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), admitiu nesta quarta-feira, 15, a existência de problemas na rede pública de saúde, incluindo a falta de médicos. A afirmação veio à tona em meio a três denúncias de suposta negligência em hospitais da capital federal.
Celina destacou que o governo está se mobilizando para reforçar o atendimento e revisar os protocolos, especialmente no que diz respeito à assistência pré-natal.
“A gente não vai tolerar esse tipo de atendimento nos nossos hospitais”, afirmou a governadora. “Há também uma previsão de mudar o protocolo do atendimento pré-natal. Isso também está sendo feito pelas equipes. Eu tenho certeza que a gente precisa, realmente, melhorar. Há, sim, um sucateamento na falta de médicos na rede pública”.
A declaração da governadora ocorreu após a repercussão de casos trágicos na última semana. Um dos casos mais impactantes foi a morte de Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, que faleceu durante o parto no Hospital Regional de Samambaia na segunda-feira, 13. Outros casos incluem a morte de Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, que foi encontrado sem vida na calçada do Hospital de Base em Brasília no domingo, 12, e Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, que também faleceu durante o parto no mesmo hospital na última sexta-feira, 10.
Sobre as investigações, Celina afirmou que os atendimentos estão sendo analisados e que as imagens das câmeras de segurança serão disponibilizadas para as famílias e autoridades envolvidas.
“Não tem como falar o que não aconteceu”, disse a governadora. “Está lá nas câmeras. A gente está abrindo essas câmeras para todos os familiares, para a polícia também, e apurando”.
O Ministério da Saúde, por sua vez, informou que está acompanhando as apurações em conjunto com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal e oferecendo apoio técnico ao caso.
A governadora também atribuiu a carência de profissionais à dificuldade em preencher as vagas abertas em concursos públicos. Ela mencionou que o governo convocou 508 médicos, mas a reposição do quadro depende da posse dos candidatos. Até o momento, apenas 34 dos 114 convocados no último concurso assumiram os cargos. Celina afirmou que o objetivo é nomear todos os 508 convocados, incluindo oncologistas, ginecologistas e médicos generalistas.

