Galípolo afirmou que o BC não tomará decisões 'emotivas' diante da desaceleração econômica. O Relatório de Política Monetária revisou a projeção de crescimento para 1,8% em 2026; a Selic segue em 13,75%.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 24, que a autoridade monetária não vai agir de forma “emotiva” diante dos dados recentes que sinalizam desaceleração da economia brasileira. A declaração foi dada em entrevista sobre o Relatório de Política Monetária.
“Conforme vêm dados novos, temos ganhado confiança em como esses dados vêm demonstrando um processo de desaceleração. Mas, nessa altura, vocês perceberam que esse é um BC que não é muito emotivo, não se emociona muito com os dados, para não gerar grandes oscilações aqui.”
A taxa Selic está em 13,75%, depois do corte de 0,25 ponto porcentual promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada. O Banco Central não sinalizou os próximos passos para os juros e manteve tom de cautela ao analisar as próximas decisões.
Galípolo justificou a postura mais cautelosa pela forte incerteza no cenário prospectivo. Entre os fatores citados estão a continuidade da guerra no Oriente Médio, que pressiona os preços do petróleo e dos combustíveis, e riscos climáticos, como o efeito do El Niño, que, segundo exercícios do BC, pode reduzir a produtividade das lavouras de milho e arroz.
O presidente mencionou também as respostas dos analistas no Questionário Pré-Copom, que apontaram simultaneamente mais evidências de desaceleração da atividade e maior preocupação com choques de oferta — elementos que influenciam a avaliação da autoridade monetária.
“Em um cenário de bastante incerteza, temos que ser bastante humildes na hora de consumir os dados, que segue sendo nosso farol, mas temos que consumi-los humildemente. Não podemos nos apoiar em uma falsa precisão nesse processo.”
Na nova rodada de projeções, o Banco Central revisou para baixo a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, de 2,0% para 1,8%. A previsão para 2027 foi divulgada em 1,4%. A autoridade atribuiu a revisão a uma composição menos favorável do PIB no segundo trimestre, que cresceu 0,5%, com menor impulso do consumo das famílias e de setores mais cíclicos.
A avaliação do Banco Central é de que a perda de dinamismo teve início no fim de 2024, com o ciclo de aperto monetário, e deve prosseguir no terceiro trimestre. O diretor de Política Econômica do BC, Paulo Picchetti, afirmou que, “neste momento, não existe perspectiva de recessão significativa para 2027”.
O tom geral das declarações e das projeções revela que o Banco Central pretende balancear a leitura dos indicadores de atividade com a vigilância sobre choques externos e climáticos, evitando reações abruptas às variações de curto prazo. As próximas decisões sobre juros dependerão da evolução desses riscos e de novos dados macroeconômicos.

