Cúpula do G7 em Evian aprovou acordo histórico entre EUA e Irã e reforçou estratégias contra a Rússia. Líderes debatem paz global e inteligência artificial.
Os líderes do G7 celebraram, nesta quarta-feira (17), o acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra, considerando-o uma “oportunidade histórica”. Além disso, concordaram em intensificar a pressão sobre a Rússia, antecipando uma sessão singular com executivos do setor de Inteligência Artificial (IA).
O pacto para pôr fim ao conflito no Oriente Médio e os esforços para pressionar a Rússia em busca de um acordo de paz na Ucrânia foram os principais tópicos da cúpula de três dias, que ocorre na cidade francesa de Evian, envolvendo líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.
A declaração conjunta do G7, divulgada durante a madrugada, destaca que o acordo, alcançado “sob a firme liderança do presidente (Donald) Trump, oferece uma oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira qualquer arma nuclear e enfrentar as ameaças relacionadas às suas atividades regionais e balísticas”.
Além disso, o documento menciona que uma força multinacional, liderada pela França e pelo Reino Unido, “pode desempenhar um papel importante para facilitar a retomada do tráfego marítimo” no Estreito de Ormuz, que foi severamente afetado pelo conflito.
O acordo, cuja assinatura está prevista para esta sexta-feira na Suíça, pode trazer mudanças significativas não apenas para o Oriente Médio, mas também para a situação na Ucrânia, conforme avaliou o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que ressaltou a mudança de tom nas relações de Washington com Moscou.
O presidente dos Estados Unidos, que sempre se recusou a apontar um culpado neste conflito, adotou uma postura mais hostil em relação à Rússia, afirmando que o país deve “alcançar um acordo” com Kiev. Ele também insinuou que Washington poderia reverter as sanções que haviam sido suspensas.
Os líderes do G7 se comprometeram a aumentar o fornecimento de defesa aérea à Ucrânia, após mais de quatro anos de conflito, e a “intensificar a pressão sobre a economia de guerra russa”, reforçando as sanções, especialmente nos setores de petróleo e gás.
“Consideramos que este é o momento adequado para avançar com medidas adicionais”, diz a declaração, agora que o Estreito de Ormuz, por onde passa quase 20% da produção de petróleo, está sendo reaberto após o acordo com o Irã.
O encontro também deu destaque ao tema da inteligência artificial, com um almoço que contou com a presença de importantes executivos do setor. As discussões prometem ser tensas, especialmente por conta das exigências de maior segurança por parte de alguns membros europeus, que podem desagradar os Estados Unidos.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou que menores de 16 anos serão proibidos de usar redes sociais no Reino Unido, e a França estuda uma proibição similar. O debate no G7 focará em como “melhorar a cibersegurança e proteger nossos filhos e nossas democracias”, afirmou Macron antes da reunião.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que participa como convidado, também fez um apelo para que os países não esqueçam “outro desafio”: “As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores”.
Por fim, os líderes do G7, junto com representantes do Brasil e da Coreia do Sul, assumiram o compromisso de criar até novembro “uma rede portuária” para combater o narcotráfico e reforçar a cooperação entre seus principais portos marítimos.
