Em relatório FSSA de 23/07/2026, a missão do FMI destacou o papel do Pix na modernização do sistema financeiro. O documento, feito com o Banco Mundial, pede medidas que garantam independência orçamentária do BC.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou o sistema de pagamentos Pix, destacando seu papel fundamental na transformação do sistema financeiro brasileiro. No entanto, o órgão alertou para a necessidade de garantir a autonomia financeira e orçamentária do Banco Central (BC) a fim de preservar a supervisão do setor, especialmente diante da expansão econômica.
As conclusões foram apresentadas no relatório de Avaliação da Estabilidade do Sistema Financeiro (FSSA), divulgado no dia 23 de julho de 2026. Este documento foi elaborado em colaboração com o Banco Mundial, após missões técnicas realizadas no Brasil entre dezembro de 2025 e março de 2026. O relatório aponta que, embora o sistema financeiro nacional mostre resiliência, ele enfrenta desafios como a escassez de pessoal nos órgãos de supervisão e a necessidade de fortalecimento institucional.
O FMI destacou que o Pix se tornou um importante instrumento de inclusão financeira e digitalização do mercado bancário. Segundo a avaliação, “os bancos digitais emergentes reduziram a concentração do setor bancário e continuam a fomentar a concorrência e a eficiência, resultando também em taxas de crédito mais baixas.” Além disso, o relatório sinalizou o aumento dos riscos cibernéticos e fraudes digitais, recomendando o fortalecimento da governança do sistema.
“É urgente fortalecer a estrutura do Banco Central para garantir a estabilidade do sistema financeiro”, afirmou o FMI.
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Entre as recomendações do FMI, está a formalização da política de supervisão do Pix e a separação entre as funções operacionais e de fiscalização exercidas pelo BC. O relatório também sublinha a importância de adotar medidas para superar as restrições de pessoal nos órgãos supervisores e de conceder plena autonomia orçamentária ao Banco Central.
Enquanto isso, o Senado analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que visa garantir essa autonomia financeira ao Banco Central. A proposta, que já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em junho, aguarda votação no plenário. O projeto transforma o BC em uma entidade pública de natureza especial e é defendido pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo.
Apesar das divisões sobre a proposta, o FMI concluiu que o sistema financeiro brasileiro continua sólido e capaz de enfrentar choques econômicos. O relatório reafirma a importância de manter o regime de metas para a inflação e a continuidade das reformas estruturais para assegurar a estabilidade financeira do país.
Em resposta ao relatório, o Banco Central manifestou satisfação com as conclusões e destacou a evolução do sistema financeiro brasileiro desde 2018, reforçando a necessidade de fortalecer a estrutura institucional.
O Ministério da Fazenda também comentou sobre o relatório, destacando que o Brasil teve a segunda maior revisão positiva de crescimento entre as economias do G20. O FMI prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresça 2,4% em 2026, com uma previsão otimista de 2,2% para o ano seguinte.
