O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, considerou como uma “luz no fim do túnel” a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de retirar do inquérito das fake news o pedido de investigação contra o ministro André Mendonça. A declaração foi dada durante agenda de campanha em São Carlos, no interior de São Paulo, nesta sexta-feira, 4. Flávio estava acompanhado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição.
“Há uma luz no fim do túnel”, declarou o senador.
“A minha defesa vai ser sempre intransigente: a defesa do Supremo Tribunal Federal, a defesa institucional. As pessoas passam, as instituições ficam.”
A decisão de Fachin ocorreu em meio a uma crise no STF relacionada à divulgação de mensagens e à tramitação de pedidos de investigação. Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que contém mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a um número atribuído a Alexandre de Moraes. Segundo o relatório, os diálogos tratavam de investigações envolvendo o Banco Master.
A Polícia Federal informou que não foi possível identificar as respostas do interlocutor — que seria o ministro Alexandre de Moraes — porque as mensagens tinham visualização única e não foram recuperadas. Dois dias depois da divulgação das mensagens, Moraes pediu a Fachin a investigação de Mendonça por supostos crimes, entre eles abuso de autoridade. Fachin determinou que os pedidos contra o ministro tramitem em processo sob responsabilidade da Presidência do STF.
Flávio voltou a defender o afastamento de Alexandre de Moraes e disse esperar que o plenário do STF autorize uma investigação formal contra o ministro. Mendonça também pediu a Fachin que leve ao plenário o relatório tornado público sobre a possível conexão entre Moraes e Vorcaro. O senador afirmou que Moraes não teria condições de permanecer no Supremo e citou o relatório divulgado sobre as investigações envolvendo o Banco Master.
O senador mencionou ainda mensagens nas quais teria pedido dinheiro a Vorcaro para custear o filme “Dark Horse”, sobre seu pai. Flávio prometeu prestar contas sobre a utilização dos valores, o que, segundo a reportagem, ainda não ocorreu. Há investigação no STF sobre a suspeita de uso de emenda parlamentar na produção do filme e procedimentos na Polícia Civil de São Paulo envolvendo a produtora. Flávio não é formalmente investigado.
Flávio também rebateu declarações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que havia mencionado o pedido de financiamento do filme durante manifestação sobre a crise no STF. Alcolumbre afirmou que “todo mundo esqueceu” o pedido de R$ 130 milhões para a produção cinematográfica.
“Todo mundo esqueceu”
O senador do PL acusou Alcolumbre de agir por “autoproteção” e criticou a falta de pauta de processos de impeachment contra ministros do STF. Flávio disse, sem apresentar detalhes, que Alcolumbre teria interesse em prejudicá-lo nas eleições. Ele também mencionou uma reunião entre o presidente do Senado e Alexandre de Moraes e fez acusações contra o senador e contra o ministro Flávio Dino.
As assessorias das autoridades citadas foram procuradas. A assessoria de Flávio Dino informou que ele não comentaria o caso por considerar as declarações parte de um discurso eleitoral.


